
Destruição Final 2 (Greenland 2: Migration, 2025), longa-metragem estadunidense de ação e drama, distribuído pela Diamond Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 05 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 98 minutos de duração.
Filmes de desastre funcionam justamente porque são únicos: começam, explodem coisas, colocam a família em perigo e terminam com um suspiro de alívio. Mas, claro, que Hollywood não resiste a uma continuação — e assim surge “Destruição Final 2”, cinco anos depois, como se alguém realmente tivesse pedido por isso. O primeiro filme já havia encerrado perfeitamente o arco dos Garrity — John (Gerard Butler), Allison (Morena Baccarin) e o pequeno Nathan (Roger Dale Floyd) — sobreviveram ao cometa “Clarke”, responsável por pulverizar cidades inteiras e deixar o planeta em frangalhos.
O longa antecessor foi lançado bem no meio da pandemia (diretamente em streaming), e, para ser honesto, eu não esperava absolutamente nada dele. Talvez justamente por isso Ric Roman Waugh tenha conseguido surpreender: entregou um filme‑catástrofe mais competente do que o gênero costuma permitir, sustentado pela dinâmica familiar de Butler e por um drama humano que realmente parecia humano — algo raro quando o padrão do gênero é explodir cidades e torcer para que o público não perceba o vazio emocional no meio dos escombros.
O filme funcionou porque apostou em esperança e relações reais, em vez de se apoiar apenas nas explosões. Foi tão redondinho, tão completo, que fica difícil entender a lógica por trás de uma continuação. Mas, claro, quando um filme inesperadamente dá certo, a pergunta nunca é “devemos continuar?”, e sim “quanto mais dá para espremer daqui?”.
Mas vamos lá: “Destruição Final 2” começa fazendo questão de nos lembrar do que já sabíamos: os Garrity sobreviveram e foram parar em um bunker na Groenlândia, junto com o resto da humanidade que teve a sorte de caber lá dentro. Cinco anos se passaram — porque toda boa continuação precisa de um salto temporal dramático — e, surpresa, o desastre não acabou. Fragmentos do cometa continuam caindo como se o universo tivesse decidido insistir no mesmo problema só para garantir que ninguém relaxe.
Para completar o cenário otimista, o ar agora é tóxico o suficiente para transformar qualquer passeio ao ar livre em uma roleta russa. Só é possível sair usando trajes de proteção que parecem saídos de um laboratório de contenção biológica. John, claro, é o voluntário ideal para vasculhar ruínas em busca de recursos, mesmo com a Terra reduzida a algo entre um deserto e um ferro-velho planetário.
O subtítulo (encontrado na versão americana e dispensado na brasileira) “Migração” não está ali por acaso: a família Garrity precisa atravessar metade da Europa, com Nathan — agora adolescente e interpretado por outro ator (Roman Griffin Davis)— embarcando em uma jornada que os levará para Londres, indo até o sul da França. O motivo é quase poético, se você ignorar o caos global: dizem que existe uma cratera onde a vida é menos miserável e o ar não mata instantaneamente.
A sequência até consegue entregar alguns poucos momentos capazes de manter o interesse ao longo de seus 98 minutos — um tempo mais curto que o do primeiro filme, o que já soa como uma confissão de que não havia tanto assim para contar. O orçamento é maior, claro, porque toda continuação precisa parecer “mais ambiciosa”, mas os efeitos especiais continuam apenas aceitáveis, nada que justifique o investimento além do básico. Ainda assim, há algumas cenas tensas enquanto acompanhamos os Garrity tropeçando de obstáculo em obstáculo, como manda o manual do gênero.
Em determinado ponto, o filme até tenta impressionar com uma longa sequência de suspense, em que a família precisa atravessar cânions usando estruturas improvisadas — incluindo uma ponte de corda que parece prestes a desistir da vida e escadas articuladas que inspiram mais desconfiança do que segurança. É o tipo de cena que funciona, mas também deixa claro o quanto a produção está se esforçando para convencer o público de que essa continuação realmente precisava existir.
No que diz respeito à história, o roteiro de Chris Sparling — agora com a ajuda de Mitchell LaFortune, que já trabalhou com Waugh e Butler antes — tenta transformar “Destruição Final 2” em um road movie. A dinâmica entre Butler, Baccarin e o novo intérprete de Nathan até funciona, mas todos parecem carregar um certo cansaço, como se soubessem exatamente o tipo de filme em que estão. Curiosamente, é esse cinismo involuntário que impede a sequência de desabar de vez. Se o filme não afunda na mediocridade, é menos por genialidade narrativa e mais porque o elenco parece ter abraçado a ideia.
A sequência ainda tenta inflar o elenco com novos personagens, mas a maioria deles mal passa de figurante com fala — rostos que aparecem, somem e não deixam absolutamente nada para trás.
No fim das contas, “Destruição Final 2” não chega nem perto do impacto emocional e dramático do primeiro filme, que era claramente superior. Ainda assim, para uma continuação que nunca deveria ter saído do papel, o resultado é… competente. Não brilhante, não memorável, mas funcional o suficiente para não ser um desastre completo — o que, ironicamente, já é uma vitória dentro do próprio gênero.















