Destruição Final 1 – O Último Refúgio (por Peter P. Douglas)

John Garrity (Gerard Butler) é um engenheiro civil que vive na Geórgia. Ele está retornando para a casa da esposa, Allison (Morena Baccarin), e do filho, Nathan (Roger Dale Floyd), após o casal enfrentar problemas conjugais. Esse retorno acontece na véspera de uma festa onde o plano é observar o cometa Clarke, que fará a passagem mais próxima da Terra já registrada por um objeto celeste. É um evento que vale a pena comemorar… antes que tudo dê terrivelmente errado.

Infelizmente, alguém errou nos cálculos e o que se esperava ser um inofensivo impacto de um fragmento de cometa no oceano acaba sendo a primeira de muitas colisões continentais, causando destruição generalizada e pânico em todo o mundo. Por sorte, John foi escolhido (aparentemente devido a uma combinação de habilidades valiosas e sorte) para levar sua família a um bunker onde acreditam que poderão se abrigar da catástrofe. Embora a localização dos bunkers seja secreta, corre o boato de que estejam localizados na Groenlândia.

Como era de se esperar, o caminho do perigo à segurança não é uma linha reta, e John e sua família precisam sobreviver a uma provação após a outra para chegar de casa ao bunker, supondo que ele realmente exista. Todos na festa descobrem que John, Allison e Nathan estarão seguros por meio do que obviamente é o pior processo de notificação que alguém poderia imaginar. E as estradas ficam lotadas de pessoas que simplesmente não sabem o que fazer. Tentar ver a família pela última vez? Procurar por uma solução milagrosa que talvez exista em algum lugar?

Em teoria, “Destruição Final – O Último Refúgio” (Greenland, 2020), dirigido por Ric Roman Waugh, é um filme de desastre bem direto. Passei a maior parte do primeiro ato me perguntando se já tinha visto esse filme antes; acho que o confundi com “Tempestade: Planeta em Fúria” (Geostorm, 2017), outro filme de desastre global estrelado por Gerard Butler. É bem fácil se distrair com pensamentos assim durante o primeiro ato, porque ele é bem “comum”. Tudo na premissa inicial parece ser apenas uma desculpa esfarrapada para explodir coisas com fragmentos de cometa por 119 minutos, o que até seria aceitável. Mas as explosões em si não são lá muito impressionantes.

É por isso que é meio chocante ver o cometa ser praticamente esquecido durante todo o segundo ato do filme. Em vez disso, temos um drama de personagens notavelmente sólido, onde John e Allison precisam navegar por um mundo que agora está completamente fora de controle, já que provavelmente todos estão prestes a morrer de qualquer maneira. A tensão é forte. Em alguns momentos, é de partir o coração.

É verdade que muita coisa ainda é bastante previsível, mas tudo funciona. Ninguém vai ganhar um Oscar neste filme, mas ninguém está fazendo um trabalho preguiçoso também. Bem, talvez Scott Glenn, que faz uma breve aparição só para “ser Scott Glenn” por 15 minutos; mas ele é Scott Glenn, então o melhor a se fazer é relevar.

Toda a tensão é resolvida aos 90 minutos… e de alguma forma o filme ainda tem mais 30 minutos de duração. Honestamente, parece que o roteirista Chris Sparling não sabia o que fazer com o ato final do filme, já que a história volta a se concentrar em se esconder de destroços em chamas caindo do céu (o que eu meio que imaginei que seria o filme inteiro, mas não foi).

Em geral, “Destruição Final – O Último Refúgio”, apesar de ser uma ótima adição a seu gênero, é um filme contraditório. Tem ideias sólidas, mas que, muitas vezes, são soterradas por cenas tão absurdas que é difícil acreditar que toda a montagem foi concebida para se encaixar no mesmo filme. Essas cenas discrepantes parecem ter sido feitas para públicos tão distintos que é difícil imaginar que alguém realmente goste do filme como um todo.

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