
Depois, A Névoa (Después, La Niebla, 2022), longa-metragem dramático argentino, exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), com classificação indicativa Livre e 114 minutos de duração.
César (Pablo Limarzi) passou vinte anos como vigia noturno e supervisor em uma fábrica de produtos químicos em Córdoba. Um dia, ao receber uma carta da irmã comunicando a venda de um terreno da família nas montanhas, ele decide deixar o emprego e partir a pé em direção ao local onde foram enterradas cinzas que agora repousam em terras que já não são suas.
A partir daí, inicia-se uma travessia prolongada e, em muitos trechos, marcada pela solidão, que o leva do ambiente industrial à vastidão da natureza. No caminho, cruza com figuras locais — entre elas uma professora, uma botânica e um zelador — que, em sua maioria, despertam empatia, embora também haja quem o trate com hostilidade sob a justificativa de invasão.
Esses encontros e deslocamentos, em certos momentos, ganham contornos que beiram o espiritual, compondo um filme que se permite vagar e se perder. Nem sempre essa fluidez, nem o recurso às cartas lidas pela irmã, mantêm o mesmo grau de magnetismo, mas o trabalho conjunto de Martín Sappia, do assistente de direção Mariano Luque, do diretor de fotografia Ezequiel Salinas, do montador Ramiro Sonzini e do engenheiro de som Atilio Sánchez resulta em passagens de rara beleza, discretas e sem apelo ao sentimentalismo.
Há algo de hipnótico no ato de seguir, de se deparar com o inesperado, de perceber o que antes passava despercebido. Como se costuma dizer, o que realmente importa não é o ponto de chegada, mas tudo aquilo que se revela ao longo do percurso — e, nesse caso, a jornada de um homem que abandona a rotina em busca de algo indefinido se transforma em uma experiência de reencontro e transformação.













