Descontrole (por Peter P. Douglas)

(Des)Controle (2024), longa-metragem dramático nacional, distribuído pela Elo Studios e Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 05 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 97 minutos de duração.

Dirigido por Rosane Svartman e Carol Minêm, com roteiro co-escrito por Felipe Sholl, Rosane Svartman e Iafa Britz, o longa se inspira em relatos reais para retratar a fragilidade da sobriedade e o impacto emocional do alcoolismo. Na trama, Carolina Dieckmann interpreta Kátia Klein, uma escritora que tenta manter a estabilidade enquanto revive uma antiga dependência.

Kátia começa a história como uma autora de sucesso no universo infantojuvenil, casada e mãe de dois filhos. Aos poucos, porém, sua vida começa a ruir: o bloqueio criativo se intensifica, o casamento chega ao fim e as pressões da maternidade se tornam mais pesadas. Nesse cenário, o álcool — um problema que ela acreditava ter superado — volta a ocupar espaço, oferecendo alívio momentâneo, mas também expondo riscos e consequências.

Um dos recursos mais marcantes do filme é a presença de um alter ego, uma versão desinibida de Kátia que surge quando ela bebe. Dieckmann contracena consigo mesma, dando vida a essa duplicidade que não é tratada como delírio, mas como expressão de uma identidade fragmentada por culpa, desejo e a busca por perfeição. Em certo ponto, essa persona ganha nome: Vânia, simbolizando a ruptura entre a imagem social da protagonista e aquilo que ela tenta esconder — mas também a sensação de liberdade que encontra na bebida.

O filme fala sobre ciclos de encerramento e renovação (Dieckmann entrega uma atuação que revela as camadas de uma mulher em processo de desintegração e reconstrução). E o mais importante, mostra como o alcóol faz uma pessoa perder o controle sobre a racionalidade: seja colocando a vida dos filhos em perigo; dançando funk na festa do filho adolescente; sendo filmada completamente embriagada em um chafariz; magoando os sentimentos daqueles que estão a sua volta (Kátia insulta sua editora durante o lançamento do novo livro, referente a personagem ficticia chamada Cat).

A narrativa também destaca o papel da família no processo de recuperação. Os pais de Kátia a apoiam durante a abstinência física, os filhos precisam aprender a separar a mãe da doença e o ex-marido tenta equilibrar cuidado e limites. O elenco conta ainda com nomes como Daniel Filho, Irene Ravache, Caco Ciocler e Júlia Rabello.

Sem recorrer a estatísticas ou discursos médicos, (Des)controle aborda o alcoolismo a partir de sua dimensão emocional. O filme rejeita a ideia de cura definitiva: mostra que a dependência não desaparece, e que cada dia exige uma nova escolha.

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Um comentário

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