Desconhecidos (por Peter P. Douglas)

            Desconhecidos (Strange Darling, 2022), longa-metragem estadunidense de suspense, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 03 de abril de 2025, com classificação indicativa 18 anos e 97 minutos de duração.

            O público foi gradualmente condicionado a aceitar as premissas estabelecidas pela mídia. Quando um filme se apresenta como pertencente a um determinado gênero, automaticamente ajustamos nossas expectativas. Da mesma forma, se um filme declara ser baseado em uma história real, somos naturalmente inclinados a acreditar que, de alguma maneira, ele reflete eventos verídicos. No entanto, não é comum encontrar um filme que desafie essas expectativas e brinque com as normas que internalizamos como espectadores.

            Costumo afirmar que evitar spoilers é essencial para uma experiência cinematográfica genuína. E confesso que fico em dúvida sobre até onde posso ir ao falar sobre esse filme, mas seria injusto privar qualquer espectador da oportunidade de fazer a mesma jornada que eu fiz de praticamente “assistir às cegas”.

            Dividida em seis capítulos e apresentada fora de ordem cronológica, a narrativa é conduzida de maneira bastante singular. Ambientado no interior do Oregon, o filme explora a dinâmica entre dois personagens centrais, conhecidos como “A Dama” (Willa Fitzgerald) e “O Demônio” (Kyle Gallner), cujas interações rapidamente se transformam em um jogo mortal de gato e rato. No que diz respeito à trama, prefiro deixar por aqui, permitindo que o público descubra o restante por si mesmo.

            O filme conta com um elenco excepcional, pois além da talentosa dupla de protagonistas, ainda temos Ed Begley Jr. e Barbara Hershey como dois hippies excêntricos das montanhas e, Steven Michael Quezada, interpretando um policial, que oferece um toque de esperança em meio a narrativa cínica e sombria.

            O diretor e roteirista JT Mollner concebeu esta história a partir da imagem aparentemente simples de uma jovem ensanguentada correndo pela floresta, mas o que ele conseguiu desenvolver a partir dessa ideia é simplesmente estarrecedor.

            A maneira como o diretor desafia as expectativas ao longo do filme é cativante, deixando o espectador constantemente em dúvida sobre o significado de cada elemento ou personagem. Importante frisar que, essa abordagem não se limita a ser um artifício. Ela é cuidadosamente projetada, com uma transição fluida entre as cenas, demonstrando que não se trata de uma organização aleatória, mas sim de uma execução meticulosamente elaborada.

            Desde a cena em que “A Dama” corre pela floresta ao som de um cover de “Love Hurts” até as luzes vermelhas do quarto de motel, os visuais são absolutamente deslumbrantes. A cinematografia do ator Giovanni Ribisi, assumindo o papel de Diretor de Fotografia me surpreendeu. O uso de cores com tons vibrantes de vermelho destacando-se contra a vegetação da floresta, formaram uma composição visual harmoniosa.

            Fico curioso sobre como o filme será recebido por aqueles que, posteriormente, forem impactados pelas mudanças inesperadas em sua direção. Reconheço que esta crítica extremamente positiva pode elevar as expectativas de alguns, mas torço para que o filme consiga impressionar tanto quanto me impactou.

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