Criaturas – Uma Aventura Entre Dois Mundos (por Casal Doug Kelly)

Criaturas – Uma Aventura Entre Dois Mundos (2025), longa-metragem nacional infantojuvenil, exibido durante a 2ª Mostrinha da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), com classificação indicativa Livre e 84 minutos de duração.

Filme que aposta na curiosidade infantil como ponto de partida para uma jornada que mistura perda, imaginação e descoberta. Juarez Precioso estreia na direção de longas com uma história que mistura fantasia e cotidiano – adaptada do livro homônimo, da também roteirista, Maria Camargo – sem infantilizar os personagens ou o enredo.

A trama gira em torno de Stela e Miguel, dois irmãos que voltam à cidade de Paraty dois anos depois da morte da mãe. Stela, com doze anos, é desconfiada, cética, e tenta manter os pés no chão. Miguel, mais novo, acredita em tudo, especialmente no que não se pode ver. Essa diferença entre os dois é o que dá ritmo à jornada e o que parecia ser uma viagem de férias se transforma em algo maior e mais perigoso.

O filme não tenta parecer maior do que é. Ele se mantém próximo do universo infantojuvenil, com situações que não exigem grandes explicações. O uso de efeitos é discreto, e isso favorece a atenção ao que está em jogo entre os irmãos. A fantasia entra aos poucos, e quando aparece, não transforma tudo em espetáculo.

Luiza Imbeloni e Kauã Torres, que interpretam os irmãos, funcionam bem juntos. Do núcleo adulto, são nomes como Bárbara Paz, André Ramiro e Augusto Madeira, que se destacam em seus papéis, mas sem roubar o foco da dupla central. A trilha de Plínio Profeta é discreta e eficiente, e a fotografia de Jacques Cheuiche valoriza os cenários naturais de Paraty sem transformar tudo em cartão-postal.

Mas apesar de boas interpretações e uma parte técnica que funciona muito bem, o longa derrapa em seu roteiro – o que indica ter sofrido bastante durante a edição e montagem – pois, a história perde clareza da metade para o final.

No mais, fica claro que a adaptação respeita o espírito do livro, encontrando um caminho próprio para o cinema, sem tentar copiar o que já foi feito em outras mídias.

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