
Como Treinar o Seu Dragão (How To Train Your Dragon, 2025), longa-metragem estadunidense live-action, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de junho de 2025, com classificação indicativa 10 anos e 118 minutos de duração, baseado na série de livros de Cressida Cowell.
O live-action, dirigido por Dean DeBlois, chega aos cinemas com a difícil missão de revisitar uma história que já conquista plateias no formato animado desde 2010. Isso me fez surgir um dilema: por que refazer um filme tão próximo da memória coletiva, apenas quinze anos depois da estreia original?
A trama permanece fiel ao material de origem. Soluço Horrendo Haddock III (Mason Thames), filho do chefe Stoico (Gerard Butler), é um jovem desajeitado que sonha em se tornar caçador de dragões. Durante um ataque noturno, ele consegue ferir um raro Fúria da Noite e, em vez de destruí-lo, decide estudá-lo e acaba criando uma relação de amizade com o animal, que batiza de Banguela. Ao lado de Astrid (Nico Parker), Perna-de-Peixe (Julian Dennison), Melequento (Gabriel Howell) e os gêmeos Cabeça-Quente (Bronwyn James) e Cabeça-Dura (Harry Trevaldwyn), Soluço descobre que os dragões não são inimigos, mas criaturas que podem conviver em harmonia com os humanos.
O elenco funciona bem dentro da proposta. Gerard Butler retorna ao papel de Stoico (agora em carne e osso, e não somente em voz), reforçando a ligação com a trilogia original (finalizada há 6 anos), enquanto Nick Frost dá vida ao ferreiro Bocão. Mason Thames transmite a insegurança e a inteligência de Soluço, e Nico Parker traz energia à Astrid. O destaque, porém, está nos efeitos visuais: os dragões foram recriados com texturas e peso que os aproximam da realidade, sem perder o charme cartunesco que os tornou icônicos.
O filme tem ritmo agradável e mantém intacta a força da história de amadurecimento e descoberta. Embora a produção seja divertida e tecnicamente competente, falta justificar sua existência como remake. A sensação é de que o público terá duas versões quase idênticas disponíveis, sem que a nova traga algo realmente transformador (apesar de aprofundar a relação entre pai e filho).
Ainda assim, há momentos de impacto, especialmente nas sequências de voo com Soluço e Banguela, que ganham intensidade graças ao realismo das paisagens e da água. A relação entre garoto e dragão continua sendo o coração da obra, e é nela que o filme “encontra sua razão de ser”.
Em resumo, o live-action de “Como Treinar o Seu Dragão” é uma produção bem realizada, que preserva o encanto da história original e entrega espetáculo para uma nova geração. Mas pra mim, permanece a dúvida: haveria necessidade de refazer um clássico tão recente?













