
Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi (Scouts Guide To The Zombie Apocalypse, 2015), longa-metragem estadunidense de comédia e terror, distribuído pela Paramount Pictures, com classificação indicativa 14 anos e 85 minutos de duração.
Ben (Tye Sheridan), Carter (Logan Miller) e Augie (Joey Morgan) são três colegas do ensino médio que ainda participam do grupo de escoteiros da cidade. Na noite anterior a um acampamento importante, liderado pelo dedicado chefe Rogers (David Koechner), os planos de uma tranquila aventura na floresta são interrompidos por algo completamente fora do comum: um surto zumbi toma conta da região. Diante do caos, os garotos precisam deixar de lado suas diferenças e usar tudo o que aprenderam como escoteiros — desde técnicas de sobrevivência até improvisos criativos — para enfrentarem os mortos-vivos que invadem as ruas e tentarem, assim, salvar a cidade antes que tudo desmorone.
O diretor Christopher Landon, que já tinha experiência com a franquia “Atividade Paranormal”, se arrisca aqui em um território mais escrachado. Ele não está interessado em construir tensão ou sustos genuínos, mas sim em criar situações bizarras e exageradas que beiram o grotesco. Utiliza humor juvenil extremamente impróprio, muitas vezes apelando para piadas corporais e situações constrangedoras, como a famosa cena da stripper zumbi que dança como se nada tivesse acontecido. É o tipo de coisa que ou você embarca na galhofa ou abandona o filme nos primeiros minutos.
Em outras palavras, para quem se ofende facilmente, “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” não é o filme para você; há inúmeras piadas obscenas envolvendo genitais, atos sexuais, entre outras coisas. Então, se você é alguém que se ofende ao ver garotos adolescentes com fetiche por peitos e objetificando garotas gostosas, talvez você deva buscar sua dose de zumbi em outro lugar.
O trio principal se encaixa bem na proposta do filme, com uma sintonia que mantém a história em movimento mesmo quando o roteiro recorre a fórmulas já conhecidas. Cada um representa um tipo bem esteriotipado — o introspectivo, o extrovertido e o escoteiro dedicado — e é justamente a interação entre eles que sustenta boa parte da narrativa. A presença de Sarah Dumont como a garçonete durona que se junta aos garotos, serve para provar que ela é muito mais do que apenas um colírio para os olhos usando shorts jeans curto. Já Patrick Schwarzenegger aparece em um papel menor, mas suficiente para deixar claro que o carisma da família não parou no pai.
Visualmente, o filme não impressiona, mas também não decepciona. Os efeitos práticos são decentes, os zumbis têm um visual genérico, e a direção de arte aposta em cenários suburbanos que reforçam o tom de paródia. A trilha sonora acompanha bem o clima.
O filme me surpreendeu em vários sentidos, resultando em uma experiência que me fez rir muito. Não sei o que isso diz sobre mim, já que minhas sensibilidades se encaixam perfeitamente com as de um adolescente, mas, honestamente, foi simplesmente bom me divertir com zumbis novamente. É um lembrete de que, mesmo depois de tantas produções sobre mortos-vivos, ainda dá pra encontrar abordagens criativas e bem-humoradas — até para quem já viu de tudo nesse gênero e achava que não havia mais surpresas.
No fim das contas, “Como Sobreviver a um Ataque Zumbi” não é um filme que tenta reinventar o gênero. Ele sabe que está brincando com fórmulas já conhecidas e se diverte com isso. É um passatempo despretensioso, com momentos engraçados e outros que fazem revirar os olhos, mas que entrega exatamente o que promete: uma aventura zumbi com escoteiros, sangue e piadas bobas.










