Caso 137 (por Peter P. Douglas)

Caso 137 (Dossier 137, 2025), longa-metragem francês de drama e suspense policial, distribuído pela Autoral Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 23 de abril de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 116 minutos de duração.

O diretor Dominik Moll se junta novamente ao seu parceiro de crimes cinematográficos, Gilles Marchand, para “Caso 137”, o terceiro mergulho da dupla no gênero policial. E, como o título já entrega com a empolgação de um relatório de contabilidade, estamos diante de um drama policial sóbrio, ambientado durante os protestos dos Coletes Amarelos — aquele período em que Paris virou praticamente um parque temático de gás lacrimogêneo. No meio disso tudo, Léa Drucker brilha como um farol de talento entre os demais integrantes do elenco.

Stephanie (Drucker) trabalha na IGPN, a famosa “polícia da polícia”, aquela instituição que, teoricamente, investiga crimes cometidos por policiais, mas que na prática funciona como um grupo de terapia coletiva para justificar decisões duvidosas. Em dezembro de 2018, ela está atolada em denúncias — afinal, os Coletes Amarelos começaram como um protesto pacífico e rapidamente viraram um campeonato de “quem quer fazer mais baderna para apanhar mais da polícia”. Quando uma mãe aparece para denunciar que o filho levou um tiro de espingarda antimotim na cabeça, Stephanie percebe que conhece o bairro da família. Nada como um toque de nostalgia para apimentar uma investigação.

Ela começa a reconstruir o caso, juntando imagens de câmeras de segurança e depoimentos. E, como sempre, os policiais envolvidos contam versões tão alinhadas que parecem ter sido escritas por um roteirista sem imaginação. Até que surge uma testemunha inesperada com um vídeo que contradiz tudo — porque sempre existe alguém com um celular pronto para salvar o roteiro.

O diretor tenta sair um pouco de sua zona de conforto com “Caso 137”, apostando em um thriller de personagens com aquele toque francês de realismo social — o tipo de filme que faz você refletir sobre moralidade, ética e por que diabos alguém ainda confia em instituições públicas.

O filme segue um processo tão meticuloso que, no terceiro ato, a sensação de impotência é quase desesperadora. As mentiras dos policiais são expostas, desmontadas, analisadas… e depois convenientemente anuladas por tecnicalidades. Nada chocante — afinal, estamos falando de 2020 para cá, quando escândalo policial virou praticamente gênero literário. Mas, através da jornada de Stephanie, o filme nos conduz a uma epifania simples: talvez colocar uma ex-policial para investigar policiais não seja a ideia mais imparcial do mundo. Quem diria.

No fim das contas, “Caso 137” não faz muito para se destacar, mas o que faz, faz com excelência. Léa Drucker segura tudo com tanta competência que o filme nunca desaba. Metódico, contido e sem grandes ousadias, o novo filme de Moll acaba ironicamente reproduzindo o destino de sua protagonista: destinado a ser apenas mais um número de processo. Mas, pelo menos, um número bem interpretado.

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