Caminhos do Crime (por Casal Doug Kelly)

Caminhos do Crime (Crime 101, 2026), longa-metragem criminal estadunidense, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 138 minutos de duração, baseado na novela de mesmo nome escrita, em 2020, por Don Winslow.

O filme é aquele tipo de produção que chega aos cinemas com a confiança de quem acredita ter reinventado o assalto cinematográfico, mesmo sabendo que o gênero já foi explorado de todos os jeitos possíveis desde que alguém decidiu que roubar bancos rende boas histórias. O longa abraça essa tradição com a serenidade de quem sabe que não vai surpreender ninguém, mas também não está disposto a admitir isso em voz alta.

O diretor Bart Leighton, que já tinha mostrado talento em “Uma Aventura Perigosa” (American Animals, 2018), agora recebe um orçamento que faria seu filme anterior desmaiar de susto. E, para sermos justos, ele usa esse dinheiro com a elegância de quem finalmente pode comprar o brinquedo caro da vitrine. Há perseguições, explosões, carros que parecem ter saído de um catálogo de luxo e aquela sensação de que, se fosse para economizar, alguém teria desligado a câmera mais cedo.

Chris Hemsworth interpreta Davis, um ladrão que quer largar o mundo do crime. O ator tem carisma, tem presença e, quando precisa parecer abalado, faz aquela expressão de quem acabou de lembrar que esqueceu o forno ligado. Halle Berry surge como a agente de seguros que decide que talvez seja mais interessante participar de um assalto do que continuar preenchendo formulários. É uma motivação compreensível. Ela entrega o papel com a tranquilidade de quem sabe que já ganhou um Oscar e não precisa provar nada para ninguém. Mark Ruffalo, por sua vez, interpreta o detetive que persegue o ladrão.

E então temos Barry Keoghan, que aparece para garantir que o filme tenha um elemento de caos. Ele interpreta o tipo de sujeito que você não convidaria para jantar, nem para um assalto, nem para absolutamente nada que envolva convivência humana. Sua função é clara: deixar tudo mais imprevisível e lembrar o público de que sempre existe alguém disposto a estragar o plano dos outros.

O filme funciona melhor quando finge que é sobre algo maior do que um roubo. Ele tenta mostrar personagens presos em rotinas que não suportam mais, como se todos estivessem vivendo uma segunda-feira eterna. É um tema que poderia render algo profundo, mas aqui serve mais como justificativa para que cada um aceite participar de um plano que, honestamente, não parece tão bem pensado assim.

A ação é bem filmada, com cenas que lembram produções mais antigas — aquelas em que os carros realmente batiam, em vez de desaparecerem em nuvens de pixels. Isso dá ao filme um charme particular, como se estivesse tentando provar que ainda existe espaço para fazer tudo “à moda antiga”, mesmo que o resultado final não seja tão impressionante quanto gostaria.

Aliás, falando em final… o filme passa duas horas em queima-lenta, construindo um clima mais sério e, de repente, decide que quer terminar como se fosse um cartão de aniversário. É um desfecho que parece ter sido escrito por alguém que recebeu a instrução “faça algo que agrade o maior número possível de pessoas” e levou isso ao pé da letra. Além disso, algumas subtramas somem sem aviso (vide Nick Nolte), como se tivessem sido esquecidas no bolso de uma calça que foi para a lavanderia.

Apesar disso, “Caminhos do Crime” é um thriller competente, com bons momentos e um elenco que sabe exatamente o que está fazendo — mesmo quando parece que preferiria estar fazendo outra coisa. Não vai mudar a vida de ninguém, mas cumpre seu papel com dignidade e uma dose saudável de exagero calculado.

Se você gosta de filmes de assalto, vai encontrar aqui algo que entretém. Se você gosta de Chris Hemsworth, melhor ainda. E se você gosta de finais que fazem tudo parecer mais bonito do que realmente é, parabéns: este filme foi feito para você!

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