Block Z (por Peter P. Douglas)

O longa-metragem 0filipino “Block Z” (2020), é dirigido por Mikhail Red e roteirizado por Mixkaela Villalon. A trama começa com Angie aparecendo no hospital da Universidade San Lázaro dizendo que tinha sido mordida por um cachorro no tornozelo — porque, obviamente, é assim que começam todas as grandes tragédias. Minutos depois, ela tem uma convulsão, morre na maca e, antes mesmo do corpo esfriar, levanta como se tivesse apenas tirado um cochilo e ataca um estudante-residente, mordendo-lhe o pescoço. Em seguida, o estudante-residente vira zumbi, morde outra enfermeira, e assim por diante. Em pouco tempo, todo o prédio — e depois o campus inteiro — está tomado por criaturas assassinas e famintas, porque ninguém ali ouviu falar de protocolos de emergência.

A linha de frente contra os zumbis fica por conta de um grupo de estudantes do quarto ano de medicina no famoso bloco Z: a sempre mal-humorada PJ (Julia Barretto), o atleta Lucas (Joshua Garcia), a inteligente Erika (Maris Racal) e o nerd Myles (McCoy de Leon). Em outra parte da universidade, o pai de PJ, Mario (Ian Veneracion), tenta sobreviver ao lado da guarda de segurança Bebeth (Dimple Romana) enquanto cuida da pequena Ruby (Miel Espinoza), porque nada diz “dia comum no trabalho” como lutar contra mortos-vivos com uma criança no a tiracolo.

Enquanto isso, o presidente do grêmio estudantil, Gelo (Yves Flores), faz o que qualquer líder faria: pede um resgate de helicóptero. O único detalhe é que ele só chegaria dali a 12 horas — tempo mais do que suficiente para todo mundo virar jantar de zumbi.

Entre pontos bons e não tão bons assim, a verdadeira obra-prima da inconsistência aqui é o enredo. Ele se desenrola exatamente como qualquer outro filme de zumbis já feito desde 1968. No começo, até parece uma homenagem exagerada aos clássicos, mas depois você percebe que os bons filmes do gênero tentam, pelo menos, fingir que são diferentes. Coisa que “Block Z” não almeja.

Apesar de conhecermos as esperanças, sonhos e hobbies dos protagonistas (porque isso sempre salva alguém de virar lanche de zumbi), não dá para dizer que, quando suas vidas estiverem em risco, você vá gritar que eles não devem morrer! Não por falta de vontade, mas porque simplesmente não existe material suficiente — nem em atuação, nem em profundidade — para criar esse tipo de apego.

PJ é um amor, claro, mas seus traumas são tão superficialmente apresentados que não despertam pena, apenas uma leve ansiedade. Ouvir Lucas suspirar por PJ ou Erika tratar a faculdade de medicina como Tinder profissional não causa impacto algum. E Myles? Ele é o nerd assustado que eventualmente se anima — porque todo filme precisa de um desses. Com personagens assim, fica difícil se preocupar quando eles são cercados por zumbis sedentos por sangue (que lembram bastante os infectados rápidos e hiperativos vistos nas obras do gênero das duas últimas décadas).

No fim, “Block Z” dedica tão pouca atenção aos personagens para gerar qualquer envolvimento emocional, que o que sobra é um festival de pescoços arrancados, mordidas, gente correndo com lentes de contato assustadoras e emoção suficiente apenas para evitar que você durma.

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