
O título “O Homem do Saco” (Bagman, 2024) promete muito: afinal, estamos falando do lendário Homem do Saco, aquele ser folclórico que, desde sempre, ameaça crianças malcriadas e pais cansados. É o tipo de figura que poderia render um terror daqueles de fazer adulto dormir com a luz acesa. Mas Colm McCarthy — que já dirigiu episódios de “Doctor Who”, “Peaky Blinders” e “Black Mirror” — aparentemente decidiu tirar férias criativas. Ele e o roteirista John Hulme pegam esse conceito maravilhoso e transformam em… bem… um filme de terror tão assustador quanto um ventilador desligado.
No filme, o Homem do Saco não sequestra crianças malcriadas, mas sim as boazinhas — porque até monstros têm preferências. Ele as coloca num saco com zíper, o que é moderno, prático e combina com a estética minimalista do terror contemporâneo. Patrick McKee, nosso protagonista, sobreviveu ao Bagman quando criança, o que já mostra que o monstro não é lá muito eficiente no serviço.
Corta para o presente: Patrick (Sam Claflin) agora é pai do pequeno Jake (Caréll Vincent Rhoden), trabalha como escultor e vive com a esposa Karina (Antonia Thomas), que divide o tempo entre cuidar do filho e tentar trabalhar remotamente enquanto o mundo desaba ao redor. Patrick está quebrado financeiramente e, como se boletos não fossem suficientes para aterrorizar qualquer adulto, seu passado resolve voltar para cobrar.
Ele começa a ter pesadelos, ouvir barulhos estranhos e ver luzes piscando — aquele pacote básico de “coisas que assustam na noite” que todo filme de terror usa quando está sem ideias. Tem até uma boneca chamada Dolly, que o Homem do Saco usa para atrair Jake. E Jake, claro, passa o filme inteiro tocando uma flauta doce feita pelo pai. É fofo por cinco segundos, depois vira tortura psicológica. A certa altura, até a mãe perde a paciência — e eu aplaudi mentalmente.
O problema de “O Homem do Saco” é que ele não assusta. Ele irrita. McCarthy parece preso num looping eterno de cenas repetitivas, como se estivesse tentando nos hipnotizar pelo tédio. Os 90 minutos parecem 900. Há flashbacks da infância de Patrick, sustos previsíveis e uma trilha sonora que tenta desesperadamente criar tensão, mas só consegue lembrar o espectador de que o filme ainda não acabou.
É triste ver Sam Claflin desperdiçado num roteiro tão sem vida. Ele realmente tenta — dá para ver o esforço no olhar de “me tira daqui”. Antonia Thomas também faz o possível, mas ninguém consegue salvar um filme que não sabe o que fazer com seu próprio monstro. O Homem do Saco, interpretado por Will Davis, aparece sempre escondido nas sombras, o que poderia ser assustador… se ele não parecesse mais um tio estranho tentando assustar sobrinhos no churrasco.
McCarthy tenta deixar o vilão misterioso, mas o resultado é o oposto: o Homem do Saco não é assustador, é patético. E quando finalmente o filme resolve fazer algo interessante — um final sombrio e (porque não para muitos) inesperado — já estamos tão emocionalmente esgotados que mal conseguimos reagir.
Difícil acreditar que isso foi feito para estrear nos cinemas. O lugar ideal seria mesmo o streaming, onde o botão “voltar para o menu” está sempre ao alcance de um clique salvador.
















