
Longa de Daniel Roebuck mistura investigação, comédia e fé, mas não encontra o tom certo
De boas intenções o inferno está cheio. Começo com esse antigo provérbio para destacar como algumas produções podem, sim, ter propostas interessantes a serem abordadas, mas a falta de competência em certos aspectos pode invalidar essas boas intenções em um piscar de olhos.
Em “Aposentados e Curiosos”, acompanhamos o policial aposentado Wilbert Moser (Basil Hoffman), que se encontra ocasionalmente com seu grupo de estudo bíblico, idosos que já tiveram um passado criminal, mas que, de alguma forma, saíram dessa vida graças a Wilbert. Ainda assombrado por não conseguir desvendar um assalto a banco ocorrido 50 anos atrás, ele, incapaz de resolver o caso sozinho, une-se a um grupo de amigos,incluindo a especialista em Psicologia Forense, Alex (Madelyn Dundon), e à comunidade local para desvendar esse roubo.
Dirigido e roteirizado por Daniel Roebuck, que também atua no filme como Hitch, amigo de Wilbert, o longa coleciona mais erros do que acertos de seu realizador. A princípio, a ideia aparentemente interessante de usar flashbacks estilizados para nos mostrar o momento do roubo dita o clima da produção: uma comédia leve, nos moldes dos clássicos filmes de assalto. Uma pena, já que o charme transmitido nesses flashbacks, como a trilha sonora e o mínimo de tensão, foram descartados assim que entramos no segundo ato.
O mistério que reverbera na trama praticamente não avança, além de não transmitir urgência alguma. O roteiro fraco, com a cidade ajudando em uma reprodução do próprio assalto, evidencia o nível lúdico proposto pela história, mas não oferece razões plausíveis para vermos um banco concordar com uma encenação que, no final, traz uma justificativa pouco aceitável para o andamento da investigação.
Como todo filme de roubo a banco/investigação, temos o esperado momento ultra expositivo, no qual o plano mirabolante é explicado, além de um plot twist em seu ato final, aqui não seria diferente. A grande problemática são os quase 20 minutos de exposição para mastigar todo o plano ao público, o que seria válido se fosse realmente impressionante ou se a direção desse o devido peso, o que não acontece. E o plot twist de praxe não só subestima a inteligência do telespectador, como também contradiz o próprio roteiro.
O saldo positivo de todo esse fiasco seria a mensagem de ressocialização prisional presente em toda a trama. Mesmo que usada como uma mensagem claramente religiosa, o roteiro deixa claro como segundas chances devem ser dadas. Praticamente todos os personagens envolvidos na trama principal são ex-presidiários que identificaram seus erros e, de algum modo, encontraram seu lugar na sociedade. Em tempos tão extremos quanto estes, uma produção com uma mensagem humanista como essa merece ser mencionada, mesmo que perdida em meio a tanta mediocridade em sua execução.















