
Animais Perigosos (Dangerous Animals, 2024), longa-metragem de suspense e terror, coprodução Austrália, Canadá e Estados Unidos, distribuído pela Diamond Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 18 de setembro de 2025, com classificação indicativa 18 anos e 98 minutos de duração.
Dirigido por Sean Byrne, “Animais Perigosos”, mergulha direto em um universo de violência, obsessão e teatralidade, sem pedir licença. É um filme de tubarão em que o tubarão não representa a ameaça principal, e ao mesmo tempo, é um filme de serial killer em que a matança não é cometida diretamente pelo assassino.
A trama começa com Zephyr (Hassie Harrison), uma surfista americana em viagem pela costa de Queensland na Austrália. Ela conhece Moses (Josh Heuston) – corretor imobiliário e surfista – com quem passa algumas horas da noite. Porém, com medo de compromisso, Zephyr decide ir embora ainda pela madrugada, e resolve ir até a praia pegar ondas. É nesse momento que cruza o caminho de Bruce Tucker (Jai Courtney), dono de uma empresa de experiências com tubarões e também assassino em série.
Zephyr não é como as vítimas anteriores de Bruce – ela é uma lutadora, uma sobrevivente que suportou dificuldades a vida toda até este ponto. Um homem louco e um bando de tubarões não são nada para ela; este animal morde.
O filme não tenta ser mais profundo do que precisa. Byrne e o roteirista Nick Lepard mantêm o foco no essencial: apresentar os personagens com rapidez, dar a eles traços suficientes para gerar envolvimento e, em seguida, mergulhar na ação. A narrativa se desenrola em alto-mar, com Zephyr (Harris tentando encontrar algum espaço para desenvolver a personagem, mesmo com o roteiro não dando muito tempo para isso) tentando escapar de sua prisão enquanto Moses tenta entender seu desaparecimento. Há momentos de excentricidade, como a cena em que Bruce (entre o grotesco e o cómico, encarnando uma caricatura) dança ao som de Stevie Wright, reforçando o tom performático da história.
O foco maior está na tensão física, nos confrontos diretos e na construção de cenas que parecem feitas para causar impacto imediato. Há momentos em que o filme flerta com algo mais profundo — como quando Zephyr encara um tubarão nos olhos ou quando surgem diálogos que sugerem uma relação entre ela e o mar — mas essas ideias são rapidamente descartadas.
A edição funciona como uma sequência de cenas que tentam superar umas às outras em brutalidade. Isso pode cansar, especialmente quando se percebe que algumas sequências foram esticadas para ajudar a preencher a duração do longa. Ainda assim, há uma convicção na forma como o filme se apresenta. Ele não tenta disfarçar suas intenções, e isso acaba sendo um ponto a favor. Quando parece que vai ceder ao óbvio, ele entrega uma virada impiedosa, sem espaço para redenção ou conforto.
A título de curiosidade, o diretor chegou ao projeto com uma motivação pouco convencional: ouviu dizer que filmes de tubarão nunca dão prejuízo. Pode não ser a razão mais inspiradora, mas o resultado mostra que ele entendeu bem como fazer esse tipo de história funcionar.
Em resumo, “Animais Perigosos”, mesmo sofrendo de imperfeições, apresenta algo interessante na forma como se recusa a abraçar completamente o clichê. O mar, o sangue e a encenação se misturam num espetáculo que entende o próprio excesso como parte da proposta. Para quem entrar nesse jogo, a experiência tende a ser intensa. Para quem espera lógica ou equilíbrio, talvez seja melhor procurar em outro lugar.















