Amores Materialistas (por Peter P. Douglas)

Amores Materialistas (Materialists, 2025), longa-metragem estadunidense de romance dramático, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 31 de julho de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 116 minutos de duração.

A diretora Celine Song (“Vidas Passadas”, 2023), não fez um segundo filme fácil. “Amores Materialistas” é romance com cara de crítica social, que parece leve na superfície, mas carrega um peso incômodo por baixo do verniz.

A protagonista, Lucy (Dakota Johnson), é uma casamenteira profissional em Nova York — alguém que transforma amor em algoritmo, compatibilidade em planilha, e relacionamentos em transações. Ela vive entre cafés charmosos e apartamentos milionários, mas o que o filme mostra é que, por trás do glamour, há uma solidão que não se resolve com dinheiro.

O triângulo amoroso entre Lucy, seu ex-falido (Chris Evans) e o novo pretendente bilionário (Pedro Pascal) é só o ponto de partida. O que Song realmente quer discutir é o que significa amar num mundo onde tudo tem preço. Lucy não é uma heroína romântica — ela é pragmática, cínica, e profundamente contraditória. Ela vende sonhos que não acredita, e quando se vê diante da possibilidade de viver um deles, hesita. O filme não a julga, mas também não a absolve. Ele apenas observa.

A direção é elegante, com fotografia que valoriza o contraste entre o luxo discreto e os momentos mais simples. Os diálogos são afiados, cheios de ironia e pequenas verdades que doem. Há uma cena em que Lucy tenta consolar uma cliente às vésperas do casamento, e o que começa como conselho vira quase uma sessão de psicanálise improvisada. É nesse tipo de momento que o filme brilha — quando deixa de lado a estrutura clássica da “comédia romântica” e mergulha na complexidade das escolhas.

Mas nem tudo funciona. A química entre Johnson e Pascal é morna, o que enfraquece o dilema central. E embora o roteiro seja inteligente, às vezes ele parece mais interessado em ideias do que em pessoas. Os personagens, por mais bem interpretados, são quase estereótipos — o rico idealizado, o ex que representa o passado, a protagonista dividida entre o que quer e o que acha que merece. Falta carne, falta história de verdade por trás das poses.

Ainda assim, o filme não entrega respostas fáceis, nem finais reconfortantes. O desfecho, aliás, é ambíguo — parece feliz, mas quanto mais se pensa nele, mais trágico se torna. É como se Song dissesse que, no fim das contas, o amor não é suficiente quando o mundo insiste em transformar tudo em capital.

Se “Vidas Passadas” era sobre o que poderia ter sido, “Amores Materialistas” é sobre o que nunca será — porque talvez a ideia de amor puro já não caiba no nosso tempo.

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