Alerta Apocalipse (por Peter P. Douglas)

Alerta Apocalipse (Cold Storage, 2025), longa-metragem de ficção-científica, coprodução francesa e estadunidense, distribuída pela Imagem Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 29 de janeiro de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 99 minutos de duração.

Dirigido por Jonny Campbell, “Alerta Apocalipse” conta com roteiro de David Koepp, um dos maiores nomes de Hollywood (há cerca de trinta anos no mercado) tendo trabalhado em filmes como Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros (1993), Missão: Impossível (1996), O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997), Ecos do Além (1999), O Quarto do Pânico (2002), Homem-Aranha (2002), Janela Secreta (2004), Guerra dos Mundos (2005), Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008), A Múmia (2017), Presença (2024), entre tantos outros títulos. O filme é uma adaptação baseada no livro “Contágio” (Cold Storage, 2019), escrito pelo próprio Koepp.

A história começa há cerca de vinte e cinco anos atrás, quando Robert (Liam Neeson) e Trini (Lesley Manville) são chamados para investigar um estranho evento em uma vila rural da Austrália. Com a ajuda de uma bioquímica (Sosie Bacon), eles descobrem que um foguete da NASA, que caiu ao retornar à Terra, estava transportando um tipo de fungo que evoluiu e não se desintegrou na reentrada. O organismo é algo completamente diferente de tudo que já se viu. Após uma situação de caos, fica decidido que, para proteger a Terra, a amostra coletada deve ser celada – e colocada no meio do nada – em uma instalação de armazenamento a frio, no subsolo dos EUA.

Avançando para os dias atuais, o governo lacrou o depósito e alugou o térreo para uma empresa de armazenamento comum. As pessoas alugam os boxes, guardam seus pertences e a vida segue. Até que um dia, ocorre uma falha e dois funcionários decidem investigar o que está causando o bip vindo atrás da parede. A partir daí, o filme, apesar de envolvente, sofre uma grande quebra de ritmo, ao se levar a sério demais.

O roteiro não é tão simples, mas também não chega a ser exagerado demais e nem chega a se perder em tantos detalhes que o público precisaria de um doutorado para entender o que está acontecendo.

Nossos dois personagens principais, Teacake (Joe Keery) – cujo nome verdadeiro é Travis – e Naomi (Georgina Campbell), funcionam bem juntos, mesmo que inicialmente haja um certo desentrosamento. O roteiro retrata com perfeição a estranheza do relacionamento deles, que começam como colegas de trabalho e depois se tornam um casal.

O restante do elenco que inclui, principalmente, Vanessa Redgrave (como uma locatária de um dos boxes), Gavin Spokes (como um gerente detestável e totalmente fora da lei) e Ellora Torchia (como uma oficial que acredita em Robert e o ajuda, ignorando ordens diretas de seu chefe), não fica em nada abaixo das atuações dos protagonistas.

O único aspecto que achei superficial foi o próprio fungo/organismo. Quando ele entrou em cena, tinha presença, sofrendo mutações rápidas, explodindo, dominando tudo e causando uma carnificina brutal. Mas de repente, ele se tornou muito seletivo em quem “contaminar”.

À medida que o fungo se aproxima da superfície, o filme deixa claro que a ameaça não é local. Se escapar, o mundo enfrentará uma pandemia impossível de conter. A parte final se concentra na corrida contra o tempo para impedir que o organismo alcance o ambiente externo — o que envolve tanto coragem quanto uma boa dose de sorte (e improviso).

No geral, por ter uma história que prende o espectador, se passando em um cenário incrível, além de possuir personagens encantadoramente irritantes, “Alerta Apocalipse” merece uma chance, mesmo não sendo o próximo grande thriller inesquecível de ficção científica.

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