Abandonados (por Peter P. Douglas)

Abandonados (Abandoned, 2015), longa-metragem estadunidense de aventura dramática, estreia, no streaming Filmelier+, no dia 28 de agosto de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 86 minutos de duração, baseado no livro “The Spirit of Rose Noelle” de John Glennie and Jane Phare.

Em 1989, o veleiro Rose Noelle zarpou de Picton, na Nova Zelândia, rumo a Tonga, levando quatro homens a bordo. A jornada, que prometia ser uma aventura marítima, virou um pesadelo quando uma onda colossal capotou a embarcação. A partir daí, os tripulantes enfrentaram uma dura batalha física e psicológica pela sobrevivência, à deriva por 119 dias até finalmente alcançarem a Ilha Grande Barreira (o que, de certa forma, é uma coisa irônica – considerando que eles acabaram encalhados a apenas 80 km da costa da Nova Zelândia – indicando que ficaram andando em círculos).

O filme acompanha essa história real sob a perspectiva de John, o proprietário do Rose Noelle. Um verdadeiro nômade dos mares, John é um homem excêntrico e avarento, mas guiado por uma fé inabalável em Deus que lhe dava a certeza de que seriam salvos. Seus companheiros de viagem são bem distintos: Jim (Dominic Purcell) é o pragmático, calmo e centrado; Phil começa como um desastre ambulante, mas amadurece ao longo da jornada; e Rick, inicialmente razoável, se torna cada vez mais desesperado e impulsivo na tentativa de voltar para casa.

A escolha de narrar os eventos a partir da perspectiva de John confere ao filme um viés subjetivo que, embora coerente com a proposta, limita o desenvolvimento psicológico dos outros tripulantes.

Apesar da riqueza da história real e da complexidade dos acontecimentos, o filme falha em manter o ritmo necessário para sustentar o interesse do espectador. Com apenas 86 minutos de duração, a obra tenta condensar uma experiência de quatro meses em alto-mar, o que resulta em uma narrativa fragmentada e superficial. Os momentos de tensão e transformação são abordados de forma apressada.

A ambientação é competente ao transmitir a sensação de isolamento e claustrofobia, e o elenco entrega boas atuações que evitam o melodrama. No entanto, o foco excessivo na espiritualidade de John e a ausência de subtramas ou variações dramáticas tornam a progressão narrativa monótona. A falta de dinamismo compromete a experiência, gerando um desgaste perceptível ao longo da projeção.

Em sua conclusão, “Abandonados” apresenta uma reflexão interessante sobre o impacto psicológico do resgate, a dificuldade de reintegração à vida comum após uma experiência extrema e a desconfiança pública. Contudo, o ritmo arrastado e a estrutura narrativa limitada impedem que o filme alcance seu potencial dramático. A obra se propõe a retratar a resiliência humana, mas o resultado é uma narrativa que, embora sincera, se mostra excessivamente lenta e pouco envolvente.

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