Documentário de Miguel Antunes Ramos acompanha jovens pregadores evangélicos e propõe um olhar sobre fé e infância no Brasil contemporâneo

A VOZ DE DEUS, novo documentário dirigido por Miguel Antunes Ramos, estreia nos cinemas brasileiros no dia 16 de abril, com distribuição da EMBAÚBA FILMES. A produção convida o público a uma experiência de escuta e observação sobre fé, infância e os modos como sonhos são moldados, e por vezes interrompidos, no Brasil contemporâneo.
Filmado ao longo de cinco anos, entre 2017 e 2022, o documentário acompanha a trajetória de dois jovens pregadores evangélicos em momentos distintos de suas vidas. Daniel Pentecoste foi o pregador infantil mais famoso do país, reunindo multidões em projeção nacional. Ao crescer, enfrenta o esvaziamento da fama precoce e a incerteza sobre o futuro. João Vitor, aos 12 anos, vive o auge: com mais de um milhão de seguidores no Instagram, entre lives e smartphones, prega para plateias presenciais e digitais. Ao aproximar esses dois tempos, o auge e o depois, o filme constrói um retrato delicado sobre o que permanece e o que se transforma quando a infância se mistura à exposição pública.
Mais do que registrar um fenômeno religioso, A VOZ DE DEUS testemunha as mudanças atravessadas por seus personagens e pelo próprio país nesse período. Política e religião surgem não como pano de fundo ilustrativo, mas encarnadas nas relações familiares, nas expectativas depositadas sobre esses jovens e nos afetos tensionados por um Brasil em transformação. Um ciclo se encerra enquanto outro começa — e o país que cerca esses meninos já não é o mesmo.
Com uma abordagem observacional que privilegia a presença e a escuta, o filme evita julgamentos fáceis e estereótipos. A câmera se aproxima, compartilha o espaço e permite que silêncios, hesitações e conflitos emerjam com complexidade. Em vez de reduzir o universo evangélico a caricaturas, o documentário revela suas contradições internas e a humanidade de seus personagens, transformando um tema potencialmente polarizado em uma reflexão íntima sobre sonhos, identidade e pertencimento.
Desde sua estreia em festivais, o longa vem sendo reconhecido pela crítica por seu olhar rigoroso e sensível. A VOZ DE DEUS integrou a Competitiva Brasileira do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, onde recebeu o prêmio de Melhor Montagem, além de participar do CineBH – Festival Internacional de Cinema de Belo Horizonte e da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Dirigido por Miguel Antunes Ramos, o filme dialoga com temas recorrentes na trajetória do cineasta, como a observação de grupos sociais, as dinâmicas de poder e as relações entre indivíduo e contexto. Em A VOZ DE DEUS, esses elementos ganham uma dimensão temporal inédita em sua obra, acompanhando ao longo dos anos a formação — e a reinvenção — de figuras públicas ainda em idade de descoberta.
SINOPSE
Duas crianças pregadoras buscam o caminho para uma vida melhor por meio da fé. Daniel Pentecoste foi o pregador infantil mais famoso do Brasil, mas conforme cresce enfrenta a frustração de um futuro incerto. João Vitor está no auge, com um milhão de seguidores. Entre lives e smartphones, prega para multidões. O filme revela as infâncias escondidas sob a construção de duas figuras públicas, oferecendo uma reflexão sobre um Brasil em transformação, em que política e religião frequentemente se confundem.
FICHA TÉCNICA
A VOZ DE DEUS (2025) – 85’
Direção: Miguel Antunes Ramos
Roteiro: Miguel Antunes Ramos, Alice Riff
Produção: Nicholas Bernstein
Produtoras: Corisco Filmes, Intropia Media
Distribuição: Embaúba Filmes
Montagem: Yuri Amaral
Fotografia: Alice Andrade Drummond, Léo Bittencourt
Som: Jonathan Macías, Tomás Franco, Rafael Veríssimo
Desenho de Som: Fernando Henna
Trilha Sonora: Arthur Decloet, Kiko Dinucci
País: Brasil / Espanha
SOBRE O DIRETOR
Miguel Antunes Ramos é um cineasta brasileiro cujo trabalho explora a transformação de paisagens urbanas e a persistência da violência histórica. É formado em audiovisual pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA–USP). Realizou, entre outros, os curtas-metragens “Um, Dois, Três, Vulcão” (2012), “Salomão” (2013), “E” (2014), “A Era de Ouro” (2014), “O Castelo” (2015) e “Comissão de Vendas” (2016), apresentados em festivais como os de Roterdã, Toulouse e Oberhausen e premiados em diversos festivais no Brasil. O documentário “Banco Imobiliário” (2016) marcou a estreia de Ramos na direção de longas-metragens e foi exibido na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Assinou ainda a direção do longa “A Flecha e a Farda” (2020).
SOBRE A EMBAÚBA FILMES
A Embaúba Filmes é uma distribuidora especializada em cinema brasileiro, criada em 2018 e sediada em Belo Horizonte. Seu objetivo é contribuir para a maior circulação de filmes autorais brasileiros. Diferencia-se pela qualidade de seu catálogo, que já conta com mais de 50 títulos, investindo em obras de grande relevância cultural e política. A empresa também atua na exibição de filmes pela internet por meio da plataforma Embaúba Play, que reúne mais de 800 títulos entre curtas, médias e longas do cinema brasileiro contemporâneo.
Créditos das imagens: Divulgação / Assessoria de Imprensa / Distribuidora.
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