A Ponta de Um Crime, 2005 (por Peter P. Douglas)

Para se tornar um longa-metragem noir, é preciso: detetive durão, femme fatale, interesse amoroso trágico, diálogos secos e clichês, cigarros, lugares suspeitos, gângsteres, leis do submundo, traições, informantes, segredos, drogas, sexo, assassinato e um final agridoce que você (com sorte) não viu chegar. “A Ponta de Um Crime” (Brik, 2005) é um filme classificado como neo-noir, possuindo todos os elementos mencionados acima. A única diferença é que… se passa em uma escola de ensino médio da Califórnia na primeira década do século 21.

É um pouco ridículo e surreal ver esse gênero transplantado para um local inesperado, mas os criadores do filme perceberam que, se todas as histórias já foram contadas, por que não dar um toque novo às antigas? Assim, somos convidados, com a maior seriedade, a levar a sério a premissa de um detetive do ensino médio investigando o assassinato de sua ex-namorada. Não ria, ou ele pode acabar te fazendo chorar.

O espertinho Brendan (Joseph Gordon-Levitt) está tendo uma semana estranha. Sua ex-namorada, Emily (Emilie de Ravin), o procurou em busca de proteção contra uma ameaça indizível, mas logo se afasta dele após algumas pistas enigmáticas. Um dia depois, ela está boiando em um esgoto. Sendo o teimoso malandro que é e, mantendo a longa tradição de detetives particulares obstinados, Brendan jura descobrir a verdade, mesmo que isso signifique abalar as sociedades cuidadosamente estruturadas que se desenvolveram ao redor da escola. Ele recruta a ajuda de seu informante, Brain (Matt O’Leary), e de uma garota misteriosa, Laura (Nora Zehetner) para usar a lábia, a força e os esquemas para entrar no submundo da escola. “Deixar as coisas como estão” talvez seja a única expressão que não faz parte do seu vocabulário.

Observou-se que nenhum dos personagens deste filme é particularmente simpático, principalmente porque parecem ocupar os papéis de estereótipos noir; contudo, pelo menos para mim, isso não tornou a história menos intrigante. Eu queria descobrir o(s) grande(s) segredo(s), e assistir a este filme foi como folhear as páginas de um romance policial antigo dos anos 40, rachado e amarelado pelo tempo. Depois de um tempo, você começa a esquecer que adultos sequer existem neste universo, e a ideia de um chefão do tráfico comandando um império a partir do porão da casa da mãe torna-se bastante plausível. Este não é um universo realista, mas é necessário para contar a história.

Embora “A Ponta de Um Crime” não tenha o grande orçamento ou o poder de várias estrelas para alcançar o grande público, é um filme honrosamente decente e até inovador que certamente merece fazer parte do gênero. Os diálogos são repletos de gírias arcaicas e Brendan acerta em cheio como um cara durão, competente, mas não invencível ou perfeito. Vale reservar um tempinho para assistir a essa preciosidade.

https://www.youtube.com/watch?v=jGwQkMLF6iM
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