A Meia-Irmã Feia (por Casal Doug Kelly)

A Meia-Irmã Feia (Den Stygge Stesøsteren AKA The Ugly Stepsister, 2025), longa-metragem norueguês de terror, distribuído pela Mares Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 23 de outubro de 2025, com classificação indicativa 18 anos e 109 minutos de duração.

Dirigido por Emilie Blichfeldt, o filme parte de uma releitura do conto da Cinderela, mas desloca o foco para Elvira, uma das meias-irmãs. A história acompanha sua tentativa de conquistar o príncipe Julian, enfrentando a beleza da irmã Agnes e as pressões da mãe, que a submete a procedimentos extremos. Mistura-se elementos de conto de fadas com terror corporal, criando situações que exploram o impacto de padrões estéticos sobre o corpo e a mente.

A protagonista é interpretada por Lea Myren, que entrega uma personagem que tenta se adaptar ao que esperam dela. A transformação física que ela enfrenta é mostrada com cenas que exigem atenção do público, especialmente quando o filme se aproxima do grotesco. Há uma sequência envolvendo um parasita que marca esse ponto. O uso do horror não é apenas para chocar, mas para mostrar até onde alguém pode ir para se sentir aceita.

A história também questiona o papel da Cinderela, que aqui aparece com interesses mais práticos do que românticos. O príncipe, por sua vez, é tratado como figura decorativa, sem profundidade. Isso desloca o foco para as mulheres da trama, que lidam com expectativas e rivalidades. A direção tenta mostrar que nem sempre quem parece ser a vilã é de fato a antagonista, e que o desejo de ser amada pode levar a escolhas difíceis.

Apesar de trazer uma proposta diferente, “A Meia-Irmã Feia” nem sempre consegue definir com clareza o que quer dizer. Em alguns momentos, Elvira parece perdida dentro da própria história, e o roteiro hesita entre torná-la heroína ou vítima. Isso afeta o envolvimento com a personagem, já que não fica claro se o público deve torcer por ela ou apenas entender suas ações. Mesmo assim, o filme levanta questões sobre como contos antigos moldam expectativas atuais, especialmente sobre aparência e comportamento feminino.

Compartilhe