A.Mare (por Casal Doug Kelly)

O curta “A.Mare” (2025), dirigido por Rodrigo Campos, em seus 25 minutos de duração, mergulha na memória de uma família de imigrantes italianos que vive no interior de São Paulo – em Mogi das Cruzes – durante o período da ditadura militar.

A obra não tenta ser grandiosa, mas é justamente na intimidade dos conflitos familiares que ela encontra sua força. A matriarca Amabile, interpretada por Luluh Pavarin, carrega o peso de uma tradição que começa a se desfazer diante das novas gerações. A personagem Constanza, vivida por Pri Maggrih, é quem tensiona esse fio, questionando os costumes e provocando rupturas que refletem os movimentos sociais da época (um período em que se “assumir” era antinatural).

O que chama atenção é como o curta constrói a analogia entre o micro e o macro. A colônia rural, isolada do ritmo urbano, vira palco de embates que refletem o Brasil em transformação. Rodrigo Campos consegue trazer delicadeza a narrativa de uma forma que não se vê todo dia. A fotografia de Vitor Meloni reforça essa atmosfera, com planos que valorizam o espaço e a textura dos ambientes. Há uma cena em Caraguatatuba que funciona como respiro e memória, quase como se o mar fosse testemunha de uma vida que ficou para trás.

O elenco é outro ponto forte. Além dos nomes já mencionados, há uma presença marcante dos atores mirins, que trazem leveza sem cair na caricatura. A produção, “A.Mare”, é feita majoritariamente por profissionais do Alto Tietê (SP), o que mostra que é possível fazer cinema com identidade regional sem perder potência narrativa.

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