
A Hora do Mal (Weapons, 2025), longa-metragem estadunidense de terror, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 07 de agosto de 2025, com classificação indicativa 18 anos e 129 minutos de duração.
“A Hora do Mal” é um daqueles filmes que não se encaixam facilmente em categorias. Dirigido por Zach Cregger, que já tinha surpreendido com “Noites Brutais” (Barbarian, 2022), esse novo projeto é mais ambicioso, mais estranho e, de certa forma, mais pessoal.
A história começa com um evento inexplicável: numa cidade pequena, 17 crianças de uma mesma sala simplesmente desaparecem na madrugada, às 2:17, saindo de casa como se estivessem hipnotizadas. Só uma criança permanece, Alex (Cary Christopher). E a partir daí, o filme mergulha num quebra-cabeça narrativo que mistura mistério, comédia, suspense psicológico, terror e uma dose de sobrenatural que nunca é completamente explicada.
O que chama atenção logo de cara é a estrutura. Cregger divide o filme em capítulos, cada um focado em um personagem diferente — pais, professores, policiais, moradores da cidade — todos afetados de alguma forma pelo desaparecimento. Isso dá ao filme uma sensação de profundidade emocional, porque não é só sobre o mistério em si, mas sobre como ele atinge a vida das pessoas. A professora Justine Gandy, vivida por Julia Garner, é uma das figuras centrais, pois trata-se de alguém tentando entender o que aconteceu enquanto lida com a culpa e o julgamento da comunidade.
Josh Brolin interpreta Archer Graff, pai de uma das crianças desaparecidas, e seu personagem é movido por uma dor silenciosa que vai se transformando em obsessão. Alden Ehrenreich aparece como um policial com problemas pessoais, e Benedict Wong como o diretor da escola, tentando manter alguma ordem em meio ao caos. Cada um desses personagens carrega uma parte do quebra-cabeça, e o filme nunca entrega respostas fáceis. Na verdade, ele parece mais interessado em explorar o impacto psicológico do evento do que em resolver o mistério.
Visualmente, o longa é denso. A fotografia de Larkin Seiple cria uma atmosfera opressiva, com cenas noturnas que parecem saídas de um pesadelo. Há momentos em que o filme flerta com o surreal, mas sem perder o pé na realidade. E isso é parte do charme: você nunca sabe se o que está vendo é sobrenatural, psicológico ou apenas uma metáfora. A trilha sonora também contribui para essa ambiguidade, com sons que parecem vir de dentro da mente dos personagens.
O roteiro, escrito pelo próprio Cregger, nasceu de um momento pessoal difícil — a morte de seu amigo e colaborador Trevor Moore. E isso transparece. Há uma melancolia no filme, uma sensação de luto que permeia tudo. Ao contrário de “Noites Brutais”, “A Hora do Mal” guarda suas doses de humor sombrio para momentos mais tardios, quando a natureza maliciosa da história finalmente se revela com clareza.
Em resumo, “A Hora do Mal”, deixa o espectador com uma sensação inquietante — não apenas pelo seu desfecho sombrio, mas pela forma como revela, gradualmente, uma natureza do mal que beira o mitológico.











