“A Graça”: premiado em Veneza, novo filme de Paolo Sorrentino chega aos cinemas brasileiros em 19 de março

Com performance virtuosa de Toni Servillo, longa-metragem é profunda meditação sobre amor, ética e liberdade pessoal; lançamento assinala parceria inédita entre MUBI e Pandora Filmes

Filme de abertura do Festival de Veneza 2025, “A Graça” chega aos cinemas brasileiros em 19 de março – lançamento que assinala a parceria inédita entre a MUBI e a Pandora Filmes. O novo longa-metragem de Paolo Sorrentino rendeu a Toni Servillo a Copa Volpi de Melhor Ator na 82ª edição da Biennale – ocasião em que recebeu o troféu das mãos de Fernanda Torres, integrante do júri. “Agradeço a esse júri magnífico! Eu não poderia imaginar que receberia esse prêmio de uma atriz que me encantou este ano, com um filme maravilhoso”, disse, referindo-se à atriz brasileira e ao premiado “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar® de Melhor Filme Internacional.

Paolo Sorrentino, cineasta vencedor do Oscar e do Bafta (“A Grande Beleza”, “A Mão de Deus”), tem dez longas na carreira, sete deles estrelados por Servillo. A dupla compõe um dos encontros criativos mais sólidos e celebrados do cinema contemporâneo, com o diretor frequentemente se referindo ao ator como um pilar essencial de sua obra. Em “A Graça”, Servillo interpreta o poderoso Mariano De Santis.

Vivemos um momento histórico em que a ética às vezes parece opcional, evasiva, opaca, ou muitas vezes invocada apenas por razões instrumentais”, disse Sorrentino em entrevista à Variety. “A ética é uma questão séria. Ela sustenta o mundo. Mariano De Santis é um homem sério. E Toni é o único ator que me transmite uma sensação imediata de autoridade – ao mesmo tempo em que emana grande humanidade só com seu olhar”, exaltou.

O protagonista enfrenta decisões angustiantes – tanto políticas quanto profundamente pessoais: em meio a dilemas morais, ele deve desafiar a própria consciência e procurar orientação nas pessoas mais próximas, incluindo a sua filha, Dorotea (Anna Ferzetti). Juntos, eles confrontam a questão atemporal: a quem pertence o nosso tempo?

Uma reflexão íntima sobre identidade e memória, “A Graça” traça a marca indelével que se deixa através da família e das ações. Filmado com o olhar poético característico de Sorrentino e enriquecido por uma trilha sonora evocativa e imersiva, é uma experiência cinematográfica tão visualmente suntuosa quanto emocionalmente inesquecível.

Assista ao trailer

Notas do diretor

La Grazia é um filme sobre amor.

Aquele motor inesgotável que dá origem à dúvida, ciúme, ternura, emoção, compreensão das coisas da vida e responsabilidade. O amor e todos os seus intrincados desdobramentos são vistos e vividos através dos olhos de Mariano De Santis, um Presidente da República Italiana inteiramente fictício, mas credível. Mariano De Santis ama a sua falecida esposa, ama a sua filha e o seu filho e a lacuna geracional que os separa dele. Ele ama o direito penal, que estudou toda a sua vida. Por trás da sua postura séria e austera, Mariano De Santis é um homem de amor.

La Grazia é um filme sobre a dúvida.

E a necessidade de abraçá-la. Isto é especialmente verdade na política e ainda mais hoje, num mundo onde os políticos apresentam demasiadas vezes um pacote contundente de certezas que só causam danos, atritos e ressentimentos. Isto mina o bem-estar coletivo, o diálogo e a harmonia geral. Mariano De Santis é um homem movido pela dúvida.

La Grazia é um filme sobre responsabilidade.

Outra qualidade que deveria pertencer a todos nós, mas que, acima de tudo, deveria definir os políticos, aqueles que representam os outros e guiam ou moldam as decisões. A responsabilidade é também algo de que sentimos a ausência; uma evasão quase intencional que hoje dá lugar a exibições vazias e a posturas musculosas: prejudiciais, para não dizer totalmente perigosas. Mariano De Santis é um homem responsável.

La Grazia é um filme sobre paternidade.

Os políticos são dignos do nome apenas se incorporarem a qualidade nobre e tranquilizadora da parentalidade, e não se caírem no papel, tão caro a certos políticos hoje, do filho rebelde. Mariano De Santis é um pai nobre. Mas, como um homem inteligente guiado pela dúvida, ele sabe quando é hora de se tornar filho novamente. À medida que a idade avança e o presente começa a parecer incompreensível, em vez de o desprezar ou se perder em ataques fúteis de nostalgia, ele se abre ao presente através dos seus filhos, que estão mais bem equipados para compreender o mundo que os rodeia. E ele confia neles. Mariano De Santis é um pai notável.

La Grazia é um filme sobre um dilema moral.

Se deve ou não conceder clemência a dois indivíduos que cometeram assassinato, embora talvez em circunstâncias que pudessem ser perdoadas. Se deve ou não, como católico, assinar um projeto de lei problemático sobre eutanásia.

Sinopse

Do cineasta Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar e do Bafta, “A Graça” é uma exploração abrangente do amor, do dever e da liberdade pessoal. Toni Servillo – vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Veneza de 2025 – é o poderoso Mariano De Santis, que enfrenta dilemas morais e pessoais com a ajuda de sua filha confidente, Dorotea (Anna Ferzetti). Com a visão poética característica de Sorrentino e uma trilha sonora evocativa, esta obra-prima é uma meditação íntima sobre paternidade, consciência e a eterna questão: a quem pertence o nosso tempo?

Ficha técnica

Diretor: Paolo Sorrentino

Roteiro: Paolo Sorrentino

Título original: La Grazia

País: Itália

Duração: 131 minutos

Ano: 2025


Sobre a Pandora Filmes

A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 35 anos amplia os horizontes da distribuição de longas-metragens no Brasil, revelando cineastas outrora desconhecidos no país – como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai; e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Park Chan-wook, Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder. Os lançamentos dos últimos anos incluem O Apartamento, de Asghar Farhadi; The Square: A Arte da Discórdia, de Ruben Östlund; Parasita, de Bong Joon Ho; o tunisiano O Homem que Vendeu Sua Pele, de Kaouther Ben Hania; Apocalypse Now: Final Cut, de Francis Ford Coppola; Roda do Destino, de Ryusuke Hamaguchi; e os brasileiros Deserto Particular, de Aly Muritiba; Uma Família Feliz, de José Eduardo Belmonte; e Motel Destino, de Karim Aïnouz. A Pandora Filmes se destaca pela curadoria de cinema italiano contemporâneo e clássico, e assina os lançamentos brasileiros de sucessos como O melhor está por vir, de Nanni Moretti; Ainda temos o amanhã, de Paola Cortellesi; O sequestro do Papa, de Marco Bellocchio e Eu, capitão, de Matteo Garrone.

Sobre a MUBI

MUBI é um serviço global de streaming, produtora e distribuidora de filmes dedicada a celebrar o melhor do cinema. A MUBI produz, seleciona, adquire e promove filmes visionários, levando-os a diferentes públicos em todo o mundo. A MUBI é um lugar para descobrir filmes ambiciosos de cineastas visionários, de diretores icônicos a novos autores. Todos cuidadosamente escolhidos a dedo pelos curadores da MUBI. Com MUBI GO, membros em países selecionados ganham um ingresso grátis toda semana para ver os melhores filmes em exibição nos cinemas. E a Notebook explora todos os lados da cultura cinematográfica — nas versões impressa e online. Alguns lançamentos recentes e futuros da MUBI incluem: Morra, Amor, de Lynne Ramsay; A Graça, de Paolo Sorrentino; Valor Sentimental, de Joachim Trier; A Única Saída, de Park Chan-wook; Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi; A Substância, de Coralie Fargeat; Queer, de Luca Guadagnino; Priscilla, de Sofia Coppola, Passagens, de Ira Sachs, How to Have Sex, de Molly Manning Walker, Folhas de Outono, de Aki Kaurismäki, Aftersun, de Charlotte Wells; e Close, de Lukas Dhont. As produções MUBI incluem The Mastermind, de Kelly Reichardt, estrelado por Josh O’Connor. As coproduções da MUBI incluem Father Mother Sister Brother, de Jim Jarmusch. Fundada em 2007 por Efe Cakarel, a MUBI é a maior comunidade de amantes do cinema do mundo, com membros em 190 países diferentes. A MUBI tem sede em Londres, com 15 escritórios ao redor do mundo e mais de 400 colaboradores. A MUBI adquiriu a renomada representante comercial e produtora The Match Factory e Match Factory Productions, em janeiro de 2022, e uma participação majoritária na principal distribuidora de filmes do Benelux, Cinéart, em fevereiro de 2024. Os planos de assinatura custam R$ 34,90 por mês ou R$ 298,80 a anuidade. A MUBI está disponível no navegador web, nas plataformas Roku, Apple Vision Pro, Amazon Fire TV e Apple TV, em aparelhos Smart TVs LG e Samsung, assim como em dispositivos móveis incluindo iPad, iPhone e Android, e também no Prime Video Channels.

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