A Duquesa Vingadora (por Peter P. Douglas)

A Duquesa Vingadora (Duchess, 2024), longa-metragem de ação e suspense do Reino Unido, distribuído pela California Filmes, estreia, oficialmente, no streaming Adrenalina Pura+, a partir do dia 21 de julho de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 113 minutos de duração.

Neil Marshall, conhecido por seus trabalhos marcantes no terror (Dog Soldiers – Cães de Caça, 2002 e Abismo do Medo, 2005), entrega em “A Duquesa Vingadora” uma versão carregada de estilo do típico filme policial britânico — embora profundamente enraizada nos clichês do gênero.

O enredo gira em torno de Scarlett Monaghan (vivida por Charlotte Kirk, que também assina o roteiro junto com Marshall), uma batedora de carteiras sem grande ambição que entra para o mundo do crime organizado ao se apaixonar por Rob McNaughton (Philip Winchester), um ex-fuzileiro naval transformado em contrabandista de diamantes. Scarlett é catapultada para um universo de luxo, perigos e alianças duvidosas, até ser brutalmente traída. Com Rob morto e ela deixada para morrer no deserto, Scarlett renasce como “Duquesa” e decide se vingar dos responsáveis pela tragédia.

A narrativa ganha corpo quando ela se junta aos dois únicos aliados leais do falecido Rob: o destemido Danny (Sean Pertwee) e Billy Baraka (Hoji Fortuna), um mestre das lâminas. A partir daí, o filme embarca numa cruzada de vingança marcada por tiroteios barulhentos, violência frenética e cenas sangrentas surpreendentemente bem executadas. Kirk entrega uma performance física convincente e segura — talvez o grande trunfo do longa —, transbordando presença e intensidade mesmo quando o roteiro vacila.

O elenco secundário oferece momentos sólidos, com destaque para a participação de Colm Meaney como o pai criminoso de Scarlett. Cada ator parece perfeitamente encaixado em seu papel, aproveitando ao máximo o material oferecido. A direção de ação é eficaz e a estética tem apelo, mas não escapa da fórmula.

O problema central do filme está na sua dependência quase reverente de elementos típicos dos filmes de Guy Ritchie. As introduções de personagens com telas congeladas e apelidos estilizados, a narração constante e a construção da protagonista como uma loira sensual e letal não oferecem nada que já não tenha sido explorado à exaustão. A primeira metade do filme é lenta, dedicada a apresentações e exposições pouco relevantes — muitos personagens acabam não tendo nenhuma função real na trama.

O roteiro derrapa em diálogos artificiais que provocam risos involuntários onde deveria haver tensão. Em suma, trata-se de uma obra derivativa, que não arrisca sair do trilho e acaba por entregar um filme de ação genérico, ainda que executado com entusiasmo. Há diversão superficial na jornada da Duquesa, mas falta alma e inovação para que se destaque.

O resultado é um filme que, apesar da energia e da violência competente, não encontra identidade própria. Realizado com boa vontade, mas que tropeça ao tentar homenagear seus antecessores sem oferecer qualquer surpresa real.

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