
A Cor da Noite (The Color of Night, 1994), dirigido por Richard Rush, é um thriller erótico que tenta combinar mistério psicológico com sensualidade intensa — e acaba sendo lembrado mais pelas cenas de sexo do que pela trama em si.
Bruce Willis interpreta Bill Capa, um psicólogo que desenvolve uma espécie de cegueira seletiva à cor vermelha após testemunhar o suicídio de uma paciente. Esse trauma o leva a Los Angeles, onde se envolve com um grupo de terapia liderado por um colega, Bob Moore (Scott Bakula), que logo é assassinado. A partir daí, Capa assume o grupo e começa a investigar o crime, enquanto se envolve com Rose (Jane March), uma mulher misteriosa que parece ter mais segredos do que ele imagina.
O filme tem uma estrutura que mistura investigação, erotismo e drama psicológico, mas o equilíbrio entre esses elementos é instável. A narrativa se apoia em personagens com distúrbios variados — obsessivo-compulsivo, ninfomania, tendências suicidas — e tenta construir um clima de tensão a partir das interações entre eles. Só que o roteiro, assinado por Billy Ray e Matthew Chapman, se perde em reviravoltas pouco convincentes e diálogos que nem sempre funcionam.
A revelação final, envolvendo múltiplas identidades e um passado de abuso, até faz sentido dentro da lógica do filme, mas chega com pouco impacto, já que as pistas são entregues cedo demais.
Visualmente, o filme tem momentos interessantes, com uso de cores e iluminação que tentam refletir o estado emocional do protagonista. A trilha sonora de Dominic Frontiere é típica dos anos 90, com temas melódicos e inserções dramáticas que acompanham as cenas mais intensas. Mas o tom geral oscila bastante — há momentos em que parece um suspense sério, e outros em que flerta com o exagero. Isso gera uma certa confusão sobre o que o filme quer ser.
As atuações são irregulares. Bruce Willis está num papel que exige mais vulnerabilidade do que ele costuma mostrar, e embora tenha alguns bons momentos, não consegue sustentar o drama com consistência. Jane March, por outro lado, entrega uma performance ousada, especialmente nas cenas mais físicas, mas sua personagem é tão fragmentada que fica difícil entender suas motivações. Ruben Blades, como o detetive Martinez, traz um pouco de humor ácido e se destaca em meio ao elenco.
O longa foi um fracasso de bilheteria e ganhou o Framboesa de Ouro de pior filme em 1995, mas curiosamente se tornou um dos títulos mais alugados em vídeo no ano seguinte. Parte disso se deve à fama das cenas de sexo, que foram consideradas por algumas publicações como as mais ousadas da década. Hoje, o filme é visto por muitos como um exemplo clássico de “thriller erótico dos anos 90” — exagerado, estilizado e cheio de intenções que nem sempre se concretizam.
No fim das contas, é um filme que tenta ser provocativo, mas acaba sendo mais curioso do que envolvente. Não é exatamente bom, mas também não é esquecível. E talvez seja por isso que, mesmo com todos os tropeços, ainda se fala dele.







