A Conspiração Condor (por Peter P. Douglas)

A Conspiração Condor (The Condor Conspiracy, 2025), longa-metragem de thriller político nacional, distribuído pela Pandora Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 09 de abril de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 113 minutos de duração.

A trama, dirigida por André Sturm (que atua e divide o roteiro com Victor Bonini) explora suspeitas sobre a morte de 2 ex-presidentes brasileiros (Juscelino Kubitschek – JK, 1902-1976 e, João Goulart – Jango, 1919-1976) unindo elementos históricos e ficcionais.

Filmado no município de Iguape (SP), durante 5 semanas de 2024, a história se desenrola entre agosto de 1976 a maio de 1977, onde a jornalista Silvana (Mel Lisboa), começa a desconfiar de uma conspiração para encobrir assassinatos e, ao lado de seus colegas de profissão, Juan (Dan Stulbach) e Marcela (Maria Manoella) resolve investigar as mortes. Quem também passa a ajudá-la é o político Carlos Lacerda (Pedro Bial), ex-governador do extinto Estado da Guanabara (1960 a 1965) que apoiou o Golpe de Estado de 31 de março de 1964, mas tornou-se oposição ao regime militar em 1965.

“A Conspiração Condor” chega com aquele ar de “vou revelar verdades que o mundo não está preparado para ouvir”, mas logo percebe-se que o filme está mais para professor de história empolgado do que para thriller político. Ele tenta encarar um dos capítulos mais sombrios da América do Sul com a pompa de quem vai desmascarar o universo, mas tropeça no próprio excesso de zelo e cai de cara no chão entre o cinema e a enciclopédia.

O longa quer ser noir, quer ser thriller, quer ser retrato de denúncia, quer ser “Todos os Homens do Presidente” (All the President’s Men, 1976) versão brasileira, mas acaba parecendo alguém que assistiu a meia dúzia de clássicos e decidiu misturar tudo no liquidificador sem tirar a tampa.

A referência a “Sob o Domínio do Mal” (The Manchurian Candidate, 1962) é extremamente literal. Há uma cena inteira dedicada a um experimento psicológico que não serve para absolutamente nada além de aumentar o tempo de projeção. É tão longa que você quase espera que alguém entre na sala com um certificado de conclusão do curso.

A protagonista, Silvana, é uma jornalista de fofocas que, do nada, vira investigadora de alta periculosidade. Ela começa a farejar inconsistências no acidente que matou JK durante a Ditadura Militar, e imediatamente sua vida vira uma roleta de ameaças. O filme tenta criar um clima de paranoia, mas o máximo que consegue é um clima de “aula de sociologia com PowerPoint”. Tudo é mastigado, sublinhado, repetido, explicado como se o público tivesse acabado de sair do ensino médio.

Mel Lisboa passa praticamente o filme todo fazendo expressões dramáticas como se estivesse competindo em um campeonato de caretas. A fotografia até tenta ajudar, mas logo cai na repetição: Silvana no bar, Silvana fumando, Silvana bebendo, Silvana encarando o censor. Se o bar ganhasse comissão por aparição, teria financiado metade da produção.

E é realmente uma pena, porque a locação é boa, o tema é forte e a história real é tão absurda que qualquer roteirista ficaria feliz em ter esse material. O interesse inicial existe, claro — porque o tema é relevante e ainda dói. Mas isso não basta para sustentar uma obra que parece ter medo de ser filme e prefere ser arquivo.

No fim, “A Conspiração Condor” se aproxima mais de um exercício de resgate histórico do que de algo capaz de capturar completamente o espectador. Se a intenção era fazer um thriller político, faltou emoção. Se a intenção era fazer um documentário, faltou foco. Mas, pelo menos, ninguém pode dizer que o filme não tentou. Ele tentou tanto que até cansou.

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