A Agente Polonesa (por Peter P. Douglas)

A Agente Polonesa (The Partisan, 2024), longa-metragem de suspense e guerra, coprodução Estados Unidos e Reino Unido, estreia, oficialmente, no streaming Adrenalina Pura+, a partir do dia 07 de novembro de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 107 minutos de duração.

“Christine não viveu nem amou como a maioria das pessoas”, afirma Clare Mulley, autora de “The Spy Who Loved: The Secrets and Lives of Christine Granville”. Segundo ela, Christine levava uma existência sem freios, sempre pronta para arriscar tudo por algo que considerasse justo. Nascida como Krystyna Skarbek, ela atuou como agente da Executiva de Operações Especiais britânica durante a Segunda Guerra Mundial, desempenhando funções que se assemelham às dos agentes secretos descritos por John Le Carré.

Skarbek é o centro de “A Agente Polonesa”, dirigido por James Marquand, um filme que tenta retratar os desafios e perigos enfrentados por ela em meio ao conflito. A produção se baseia em fatos reais e acompanha sua atuação contra o avanço nazista na Europa, destacando missões em que ela interceptava tropas inimigas e enfrentava situações de risco extremo.

Conhecida por seus colegas como alguém de coragem incomum, Skarbek teve um fim trágico ao ser assassinada por um homem obcecado por ela, anos após o término da guerra. O filme busca preservar sua memória, apresentando aspectos de sua trajetória e personalidade com respeito e atenção aos detalhes históricos.

Fica claro que James Marquand se apoia na perspectiva de Clare Mulley ao construir sua abordagem. Ao destacar os episódios mais marcantes da trajetória de Krystyna Skarbek, o diretor apresenta uma figura marcada por conflitos internos e dilemas persistentes.

Desde a cena inicial, em que ela é interrogada, percebe-se que nada foi capaz de quebrá-la — nem inimigos, nem circunstâncias extremas. Ainda assim, é a própria mente de Skarbek que se revela como o obstáculo mais difícil de enfrentar.

Em alguns momentos, o filme perde o equilíbrio entre os aspectos íntimos e os acontecimentos históricos. Personagens que fizeram parte da vida de Krystyna aparecem de forma breve e desaparecem sem deixar impacto. As missões que ela realiza são retratadas com pouca clareza, o que pode dificultar a compreensão para quem não está familiarizado com os detalhes da Segunda Guerra Mundial. Isso compromete a continuidade e torna mais difícil manter o interesse nas diferentes frentes que o filme tenta explorar.

Morgane Polański – mais conhecida como modelo e filha de Roman Polański e Emmanuelle Seigner – quem lidera o elenco no papel de Skarbek. A atriz de 32 anos personifica a vitalidade da espiã e transita com facilidade entre os dois lados de sua natureza ambivalente. Na maior parte do tempo, ela age exatamente como uma espiã deveria – há uma indiferença e apatia ​​em sua personalidade na tela. Mas, em momentos de crise, Polański também consegue nos mostrar o lado humano de Skarbek. O que provavelmente lhe falta, no entanto, é uma direção mais refinada por parte de Marquand. Há algumas cenas em que as reações de Polański chegam a parecer caricaturais, mesmo que o efeito desejado fosse evocar emoções contrárias.

Malcolm McDowell dá vida ao superior de Skarbek, enquanto nomes consagrados do cinema polonês também participam. Piotr Trojan interpreta o interesse amoroso da protagonista, Agata Kulesza assume o papel da mãe zelosa, e Piotr Adamczyk encarna um general nazista irreverente, que se torna o principal adversário na trama.

Mesmo com limitações que vão desde a forma como os eventos são apresentados até a ausência de uma estrutura mais clara, Marquand consegue despertar atenção para uma personagem que raramente aparece nas narrativas tradicionais sobre a Segunda Guerra.

Ao final, é possível que o público se sinta motivado a buscar mais informações sobre Krystyna Skarbek, recorrendo a fontes online para preencher lacunas deixadas pelo filme. Esse impulso de curiosidade, provocado pela figura central, talvez seja o maior mérito da obra — reacender o interesse por uma história que merece ser lembrada.

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