Longa aborda desejo, intimidade e chemsex com inspiração em Clarice Lispector

Filme teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam e integrou a programação do BAFICI, em Buenos Aires, e do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
O longa-metragem A Paixão Segundo G.H.B., dirigido por Gustavo Vinagre e Viva Couto, foi o vencedor do Prêmio Especial do Júri do Prisma Queer na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Após as sessões realizadas durante o festival, o filme terá uma sessão de repescagem no dia 3 de novembro, às 15h, no Cinesesc.
O filme teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, na Holanda, e integrou a programação do BAFICI – Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, na Argentina, do Queer Lisboa, em Portugal, do Chéries-Chéris, na França, do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, além de outros festivais internacionais.
A obra, que recentemente também venceu o prêmio de Melhor Filme no Porn Film Festival Berlin 2026, propõe uma imersão sensorial e política nas dinâmicas do desejo, da intimidade e do uso de substâncias dentro da comunidade gay contemporânea, prática conhecida como chemsex.
Na trama, um encontro entre dois homens evolui para experiências coletivas cada vez mais intensas. Em meio a essa jornada, o protagonista Matias revisita memórias afetivas e sexuais enquanto dialoga com uma figura fictícia inspirada na literatura brasileira, evocando diretamente o universo de Clarice Lispector.
O título começou como uma piada quase aleatória: colocar o clássico A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector, dentro de uma orgia gay. Com o tempo, porém, a referência se revelou essencial. A G.H. de Clarice não suporta a realidade, ingere algo desconhecido e perde a linguagem, fazendo com que essa experiência de dissociação, fragmentação e silêncio ecoe de forma potente no filme.
Nesse sentido, como afirmam Gustavo Vinagre e Viva Couto, “A Paixão Segundo G.H.B. nasce da urgência de confrontar o silêncio em torno do chemsex, propondo uma abordagem que privilegia memória, sensação e afeto em vez de julgamento moral. A narrativa é estruturada em dois movimentos: um primeiro marcado por excesso e paixão, e um segundo por repetição e esgotamento, refletindo ciclos recorrentes de desejo e limite.”
Produzido pela Carneiro Verde Filmes, o longa é estrelado por Viva Couto, Igor Mo, Rodrigo Campos, Luciano Falcão, Christiane Tricerri e Jessé Jorge. A distribuição dos cinemas brasileiros é da Cajuína Audiovisual.
Sinopse e realizadores:
A Paixão Segundo G.H.B – direção: Gustavo Vinagre e Viva Couto – Brasil – 2026 – 75 min
Sinopse:Um encontro casual vira um ménage à trois; o ménage à trois vira uma orgia. Nesta odisseia de quarto gay de realismo mágico, Matias relembra seus encontros passados e reflete sobre seu futuro, enquanto conversa com uma figura fictícia da literatura brasileira.
Equipe:
Roteiro e direção: Gustavo Vinagre e Viva Couto
Produção executiva: Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro
Produção de pós: João Marcos de Almeida
Direção de fotografia: Matheus da Rocha Pereira
Codireção de fotografia: André Sicuro
Montagem: Gabriel Fausztino
Som direto: Rodney Blanco
Mixagem de som: Lázaro Uilgner
Coordenação de estúdio de som: Daniel Turini e Marília Mencucini
Estúdio de som: Confraria de Sons & Charutos
Colorização, câmera adicional, composição musical, créditos e design do pôster: João Marcos de Almeida
Elenco:
Viva Couto como Matias (ela mesma)
Igor Mo como Ricardo (ele mesmo)
Rodrigo Campos como Free Wolf (ele mesmo)
Luciano Falcão como Lucas (ele mesmo)
Christiane Tricerri como G.H.
e Jessé Jorge
Sobre Gustavo Vinagre
Gustavo Vinagre é cineasta e documentarista, tendo escrito e dirigido mais de 14 curtas-metragens e seis longas. Estudou Letras na Universidade de São Paulo e cinema na EICTV, em Cuba. Com uma carreira prolífica de mais de 10 anos, seus filmes são conhecidos pela vibrante abordagem queer e pela intimidade no tratamento da imagem e do som. Seu primeiro longa de ficção, Três Tigres Tristes, estreou na seção Fórum da Berlinale em 2022. Seus filmes já conquistaram mais de 100 prêmios e foram destacados duas vezes pela revista Cahiers du Cinéma.
Filmografia:
2012 – Filme para poeta cego; 27 min.
2013 – La llamada; 19 min. · Nova Dubai; 50 min.
2014 – Mãos que curam; 19 min.
2015 – Chutes; 24 min.
2016 – Os cuidados que se tem com o cuidado que os outros devem ter consigo mesmos; 21 min.
2017 – Filme-catástrofe; 18 min. · Cachorro; 14 min. · Medo medo medo; 20 min.
2018 – Lembro mais dos corvos; 82 min.
2019 – A rosa azul de Novalis; 70 min.
2020 – Vil, má; 86 min.
2021 – Desaprender a dormir; 94 min. ·
2021 Deus tem AIDS; 82 min.
2021- Monumento ao Wi-Fi; 14 min.
2022 – Três tigres tristes; 86 min.
2026 – Privadas de suas vidas; 120 min.
Sobre Viva Couto
Viva Couto é uma artista brasileiro e diretora criativa baseada em Portugal. Desenvolve uma narrativa poética e disruptiva que orbita investigações pós-estruturalistas e experiências subjetivas. Sua prática artística explora intersecções entre gênero, raça, sexualidade, classe e territorialidade migrante LGBTQIA+. No centro de seu trabalho está o questionamento do imaginário coletivo sobre corpos não normativos, utilizando o desejo como ferramenta de desconstrução, resistência e criação.
No cinema, assinou direção de arte e figurino de videoclipes e filmes premiados exibidos em festivais como Cannes, Berlinale, Rotterdam, Queer Porto, Brasília, Gramado e IFA. Trabalhou com artistas como Anitta, Zuaa Isabel, Welket Bungué, Cardi B, Céu, Liniker, Linn da Quebrada, Gloria Groove, Criolo e Gisele Bündchen. Entre seus trabalhos mais relevantes estão Kbela — premiado como Melhor Curta da Diáspora Africana pelo AMAA em 2017 — e Deus tem AIDS, vencedor do Queer Porto em 2021.
Sobre a Produtora:
A Carneiro Verde Filmes é uma produtora independente com mais de 15 anos de atuação. Fundada por Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, produziu 10 longas-metragens exibidos e premiados em importantes festivais e centros culturais, como o Lincoln Center e o Centre Pompidou. Seus filmes acumulam mais de 70 prêmios, incluindo o APCA de Melhor do Ano (2019) e o Teddy Award no Festival de Berlim.
Sobre a Coprodutora:
A Filmes do Caixote é uma produtora reconhecida internacionalmente por sua forte identidade autoral, processo colaborativo e experimentação narrativa. Seus trabalhos transitam entre ficção, cinema de gênero, musical e formas experimentais, sempre ancorados na intimidade, na memória social e na tensão política. O grupo ganhou destaque internacional com Trabalhar Cansa, exibido na mostra Un Certain Regard em Cannes, e As Boas Maneiras, premiado com o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno e Melhor Filme no Festival do Rio.
Sobre a Cajuína Audiovisual:
A Cajuína Audiovisual nasceu para contribuir com a diversidade e a pluralidade na distribuição do cinema brasileiro, e, desde 2023, vem impulsionando a circulação de filmes independentes por meio de estratégias de mobilização. A distribuidora trabalha com longas e curtas-metragens que marcam presença nos principais festivais nacionais e internacionais. Nossa equipe reúne profissionais com experiência consolidada em distribuição, curadoria e programação.
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