
A Porta do Porão (Cellar Door, 2024) é o típico longa-metragem que se deve assistir com o minímo de informação possível. O filme começa apresentando John (Scott Speedman) e Sera (Jordana Brewster), um casal que espera o primeiro filho. Ele trabalha como arquiteto. Já ela é professora de matemática, o que permite ao roteiro inserir conceitos como efeito borboleta e teoria do caos para tentar dar peso à cadeia de eventos que só mais tarde levará a algo concreto.
Sera sofre um aborto enquanto John está no trabalho, e os dois decidem se mudar para uma cidade pequena. Após muito procurarem um imóvel, uma corretora os direciona para Emmett (Laurence Fishburne), que vive há décadas em uma mansão afastada. Os três conversam, revelam detalhes pessoais e se dão bem. Emmett pergunta se ter uma casa como a dele ajudaria o casal, e a pergunta não é hipotética. Ele não quer mais morar ali. Na manhã seguinte, John e Sera encontram um bilhete: Emmett foi embora e deixou a mansão para eles, com uma condição — não abrir a porta do porão.
A história até esquece a porta por um tempo. John e Sera retomam a rotina e fazem uma festa. Um homem aparece no jardim com um cilindro de gás, querendo incendiar a mansão porque acredita que ela é maligna. John conversa com ele e o sujeito desiste. A casa não parece tão ameaçadora assim. A cena não tem desdobramento até muito mais tarde, quando descobrimos quem o sujeito é e sua ligação com a casa.
Logo surge outra trama: uma colega acusa John de assédio sexual. Afastado do trabalho por um mês (enquanto ocorre a investigação), ele fica muito tempo sozinho na mansão e passa a tentar arrombar a porta do porão, falhando. Em uma das oportunidades, tenta chegar ao porão atravessando o assoalho, o que pode ser interpretado como uma brecha no contrato (é seguir a letra da lei ignorando o espírito), mas acaba desistindo.
Porém, nada disso importa porque a porta é apenas metáfora para segredos pessoais. A trama real gira em torno da relação de John com a colega e do que ele tenta esconder de Sera. O filme usa implicações, cortes enganosos e pouca clareza para levar o espectador em uma viagem rumo a uma grande trapaça. E consegue… no melhor estilo!







