Sem Reservas, 2007 (por Casal Doug Kelly)

Remake americano do filme alemão “Simplesmente Marta” (Mostly Martha, 2001) de Sandra Nettelbeck. “Sem Reservas” (No Reservations, 2007) tenta ser uma história “triste e doce” sobre perda e reconstrução, mas o resultado é mais leve do que profundo.

A trama acompanha Kate Armstrong (Catherine Zeta‑Jones), chef controladora que vê a vida virar do avesso quando a irmã morre em um acidente de carro e ela precisa cuidar da sobrinha de 9 anos, Zoe (Abigail Breslin). Enquanto tenta lidar com o luto e a responsabilidade, Kate, após um breve retiro, volta ao trabalho e descobre que sua contratante trouxe Nick (Aaron Eckhart) como subchefe temporário — um sujeito expansivo, caloroso e tudo o que ela não é.

Nick irrita Kate no início, mas aos poucos se torna essencial: ele consegue fazer Zoe comer, encontra maneiras simples de ajudar as duas e suaviza o clima pesado que domina a casa. A narrativa avança em saltos, como se o público visitasse a família de tempos em tempos. Funciona na maior parte, mas às vezes deixa a sensação de que faltam pedaços. O roteiro é o ponto fraco — truncado, irregular, sem força dramática.

Zeta‑Jones interpreta Kate como uma controladora rígida, e isso funciona até certo ponto. Quando a personagem começa a se abrir, a atuação continua metódica demais. Abigail Breslin, por outro lado, entrega o papel mais complexo do filme: uma criança que perdeu tudo, mas tenta manter equilíbrio. Ela evita qualquer traço de caricatura e dá profundidade real a Zoe. Suas cenas com Eckhart são as melhores.

Eckhart é o alívio constante. Nick é carismático, gentil e funciona como válvula de escape emocional. Ele traz leveza sempre que aparece. O romance entre Kate e Nick tem química em boa parte do filme, mas tropeça no contato físico: o beijo deles é desajeitado, mal coreografado e destoante do resto. Não arruina o relacionamento, mas evidencia a falta de direção mais firme.

O filme tenta ser mais voltado para o público feminino, mas é acessível o suficiente para agradar qualquer tipo de público. Como escolha para um encontro, funciona: leve, simpático, fácil de assistir. No fim, “Sem Reservas” pode ser resumido em uma palavra: encantador — não porque seja profundo, mas porque se apoia no carisma de Breslin e Eckhart para compensar um roteiro fraco e uma direção sem personalidade.

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