“Ecos do Teatro Experimental do Negro” ilumina legado grandioso de Abdias Nascimento, ícone mundial da luta antirracista

Longa-metragem de Daniel Santiago chega ao circuito comercial em 23.07, com distribuição exclusiva da Pandora Filmes

Chega aos cinemas no dia 23 de julho “Ecos do Teatro Experimental do Negro”, documentário de Daniel Santiago que busca iluminar o legado de Abdias Nascimento, ator, intelectual, ativista e uma das pedras fundamentais da luta pela valorização da cultura afro-brasileira. A Pandora Filmes assina a distribuição exclusiva. Em São Paulo, haverá Premiére SPCine aberta ao público, na terça-feira (21.07). No Rio de Janeiro também haverá sessão especial de pré-estreia, na quarta (22.07), em parceria com o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro). 

O Teatro Experimental do Negro foi criado em 1944, tendo sido idealizado, fundado e dirigido por Nascimento. A proposta de ação do TEN englobava cidadania e conscientização racial: ao recrutar seu elenco, o TEN tinha, como público alvo, pessoas oriundas do operariado, empregadas domésticas e pessoas sem profissão definida, segundo documentos catalogados pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (Ipeafro), sediado no Rio de Janeiro. 

Para além da dramaturgia como meio de conscientização, o TEN desempenhou atividades de caráter social e artístico. Realizou cursos de alfabetização para que seus integrantes pudessem dominar a leitura para poder ensaiar. Os cursos noturnos abordavam também conhecimentos gerais e culturais, em aulas que se realizavam no restaurante do prédio da União Nacional dos Estudantes (UNE), na Praia do Flamengo, e eram coordenadas por Abdias e ministradas por ele, Ironides Rodrigues e Aguinaldo Camargo. 

O filme ressalta o papel fundamental do TEN tanto na evolução do teatro moderno no Brasil quanto na afirmação da identidade negra nas artes e na esfera pública. Vale lembrar que, até então, personagens negros eram representados por atores e atrizes brancos utilizando a técnica do “blackface”, maquiagem negra sobre a pele clara. A atuação do TEN alcançou também outros palcos, revelando a militância e o engajamento feminino nas lutas contra a discriminação. 

“Conheci Abdias em junho de 1978. Na época, ele tinha 64 anos. Eu, 34. Cabelos grisalhos, voz forte e postura determinada, o mestre ali estava para importante momento na vida dos negros brasileiros: a fundação do MNU (Movimento Negro Unificado), sigla sugerida pelo próprio Abdias. Eu nunca esqueci aquele encontro”, conta o diretor, Daniel Santiago. O documentário entrelaça trechos das peças do TEN com depoimentos de atores e atrizes negros que passaram ou foram influenciados pelo movimento – como Ruth de Souza, Léa Garcia, Aílton Graça, Lázaro Ramos e Taís Araujo. “Com a peça ‘Imperador Jones’, de Eugene O’Neill, o TEN chegou ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1945. Foi o primeiro elenco negro a alçar a ribalta daquele nobre espaço. O filme revela ao grande público a existência de numerosos grupos no Brasil que se dedicam à problematização das formas de representação cênica do negro desde esse marco importantíssimo”.

Referência internacional na causa pan-africanista – movimento mundial de reparação dos povos africanos colonizados – Abdias, entre outras conquistas, foi indicado ao Nobel da Paz em 2009, além de ser um dos precursores de políticas públicas como as cotas raciais, a criminalização do racismo e a instituição do feriado nacional da Consciência Negra. 

Assista ao Trailer

SINOPSE

O documentário “Ecos do Teatro Experimental do Negro” lança um olhar contemporâneo sobre a presença negra nas artes brasileiras. O roteiro utiliza a encenação de peças históricas do TEN, fundado por Abdias Nascimento, como fio condutor narrativo. Unindo performances clássicas a depoimentos de artistas influenciados pelo movimento, a obra revela a resistência contra o blackface e a evolução do teatro negro, conectando o legado de 1944 aos coletivos atuais.

FICHA TÉCNICA

Estado: São Paulo

Direção: Daniel Santiago

Ano de Produção: 2025

Duração: 119 minutos

Produção: Daniel Santiago por DSS Produções

Distribuidora: Pandora Filmes

Direção: Daniel Santiago

Direção de Fotografia: Cleumo Segond

Montagem: Cristina Amaral

Som Direto: Paulo Ricardo Medeiros de Andrade e Juliana Alves Santana

Edição Sonora: Pedro Santiago, Adriana Norat e Roney Giah.

Mixagem: Roney Giah

Trilha Sonora: Henrique Band e José Prates

Sobre o diretor

Documentarista e produtor audiovisual, Daniel Santiago participou da produção de filmes importantes do Cinema brasileiro e internacional, tais como “Eles não usam black tie” (Leon Hirzman), “Pixote, a lei do mais fraco” (Hector Babenco), “The Emerald Forest” (John Boorman), entre outros, além da produção de inúmeras peças comerciais e institucionais. Foi Professor de Cinema na Escola Livre de Santo André e é também associado à APAN – Associação de Profissionais do Audiovisual Negro. 


PRÉ-ESTREIAS:

SÃO PAULO

Data: 21/07

Horário: 19h30

ingressos: R$34 (inteira) e R$17 (meia)

Local: Cine Belas Artes (Rua da Consolação, 2423)

RIO DE JANEIRO

Data: 22 de julho de 2026

Horário: 19h30

Ingressos: R$32 (inteira) e R$16 (meia)

Local: Cinesystem Belas Artes Botafogo (Praia de Botafogo, 316 – Loja E)


Sobre a Pandora Filmes
A Pandora é uma distribuidora de filmes independentes que há 35 anos amplia os horizontes da distribuição de longas-metragens no Brasil, revelando cineastas outrora desconhecidos no país – como Krzysztof Kieślowski, Theo Angelopoulos e Wong Kar-Wai; e relançando clássicos memoráveis em cópias restauradas, de diretores como Park Chan-wook, Federico Fellini, Ingmar Bergman e Billy Wilder. Os lançamentos dos últimos anos incluem O Apartamento, de Asghar Farhadi; The Square: A Arte da Discórdia, de Ruben Östlund; Parasita, de Bong Joon Ho; o tunisiano O Homem que Vendeu Sua Pele, de Kaouther Ben Hania; Apocalypse Now: Final Cut, de Francis Ford Coppola; Roda do Destino, de Ryusuke Hamaguchi; e os brasileiros Deserto Particular, de Aly Muritiba; Uma Família Feliz, de José Eduardo Belmonte; Motel Destino, de Karim Aïnouz, e A Fúria, de Ruy Guerra. A Pandora Filmes também se destaca pela curadoria de cinema italiano contemporâneo e clássico, e assina lançamentos de sucesso como O melhor está por vir, de Nanni Moretti; Ainda temos o amanhã, de Paola Cortellesi; O sequestro do Papa, de Marco Bellocchio, e A Graça, de Paolo Sorrentino. 

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