Banquete do Amor, 2007 (por Peter P. Douglas)

A única coisa pior do que se envolver em um romance falso é assistir a vários deles se desenrolando ao longo de um filme. “Banquete do Amor” (Feast of Love, 2007), dirigido por Robert Benton (Kramer vs. Kramer, 1979) é cheio de boas intenções e reflexões sinceras, mas tudo parece tão artificial que você quase espera ver o logotipo de uma marca de cartões de Dia dos Namorados no canto da tela.

Baseado no livro homônimo de Charles Baxter, a trama se passa numa comunidade isolada na cidade do Oregon em Portland, onde a vida de todos está entrelaçada como corpos num jogo de Twister.

A história é narrada por Harry (Morgan Freeman), um professor pensativo que descobre os romances alheios ouvindo conversas na cafeteria de Bradley (Greg Kinnear). Ele percebe que Bradley não tem sorte no amor: sua esposa (Selma Blair) prefere ficar com uma colega do time de softball, e seus funcionários, os jovens Oscar (Toby Hemingway) e Chloe (Alexa Davalos) se apaixonam à primeira vista. Tudo isso faz com que o casamento de Harry com Esther (Jane Alexander) pareça perfeitamente saudável — embora ambos carreguem a dor devastadora da perda do filho.

É uma premissa comum para uma comédia romântica com personagens desiludidos, mas o excesso de artifícios impede que a trama se destaque do clássico “coitadinho de mim”. Quando a esposa de Bradley o abandona — sua incapacidade de lembrar até a cor dos olhos dela ajudou bastante — ele mergulha em outro relacionamento com Diana (Radha Mitchell), uma corretora de imóveis extrovertida que tem um caso com um homem casado. Bradley se considera um romântico, mas na prática se envolve com qualquer pessoa que demonstre o mínimo interesse.

E já que ele é o “romântico incurável” oficial, vamos falar de Chloe e Oscar. Esses jovens belos e apaixonados se entregam no primeiro dia, transam na primeira oportunidade, falam poeticamente sobre o futuro enquanto “Hallelujah”, de Jeff Buckley, toca ao fundo, e soltam frases como “Eu vou te proteger de tudo”. É tão ridículo que fica difícil se comover quando as coisas tomam um rumo trágico — assustadoramente previsto por uma vidente.

“Banquete do Amor”, embora não seja insuportável — principalmente graças às cenas com Freeman — sofre com um roteiro exageradamente artificial e relacionamentos que parecem moldados a partir de personagens de novelas bobas. Este filme pseudo‑sério, que tenta ser lacrimoso, se esforça bastante, mas acaba sendo pouco mais que um entretenimento leve e insatisfatório, deixando aquele gostinho de “era isso?”.

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