Primitive War, 2025 (por Peter P. Douglas)

Guerra Primitiva (Primitive War, 2025), a adaptação do livro de Ethan Pettus — que em 2017 foi saudado como o melhor livro de dinossauros desde “Jurassic Park” — tentou repetir o feito em formato de longa-metragem, mas acabou entregando algo mais próximo de um delírio militar com répteis pré-históricos do que de uma obra-prima do gênero.

A trama, que mistura terror e ação, dirigida e coescrita por Luke Sparke, já nasce com DNA de filme B: uma unidade americana de reconhecimento é enviada ao Vietnã para descobrir o paradeiro de um esquadrão de Boinas Verdes desaparecido. Até aí, tudo dentro do esperado para um drama de guerra. Mas Sparke decide que soldados, selva e conspiração não são suficientes. Então ele adiciona cientistas malucos, intrigas soviéticas e dinossauros correndo soltos como se o Cretáceo tivesse resolvido fazer intercâmbio em 1968. O resultado é uma mistura improvável que funciona como entretenimento trash, desde que o espectador não esteja esperando profundidade, coerência ou qualquer coisa remotamente séria.

O filme abraça sua classificação para maiores de 18 anos com entusiasmo. O diretor não economiza em carnificina: gente sendo dilacerada, eviscerada, mastigada e transformada em aperitivo com uma frequência que faria até Steven Spielberg levantar a sobrancelha. Há uma cena específica em que um soldado assiste às próprias entranhas sendo sugadas como espaguete.

Mas toda essa violência seria inútil se não valesse a pena torcer por alguém. Felizmente, parte do charme do livro original sobreviveu. Baker (Ryan Kwanten), o sargento protagonista, e Jericho, o coronel canalha interpretado por Jeremy Piven, são os únicos personagens que realmente parecem ter sido escritos com mais de duas linhas de descrição. O resto da equipe é composto por estereótipos militares que servem basicamente para morrer de maneiras criativas. Não é exatamente um problema — filmes desse tipo nunca foram sobre desenvolvimento psicológico — mas limita o impacto das cenas mais tensas.

O orçamento de 7 milhões de dólares é usado com surpreendente competência. Os dinossauros são bem feitos, as cenas de ação têm peso e a selva vietnamita é convincente. Wade Muller entrega uma fotografia clara, com planos abertos que valorizam o cenário e ângulos fechados que intensificam os ataques. É um trabalho técnico que supera muitos blockbusters recentes que custaram cinco vezes mais e entregaram criaturas digitais com cara de brinquedo.

Infelizmente, o filme tropeça feio no ritmo. Com quase duas horas e vinte minutos, “Guerra Primitiva” parece acreditar que o público quer ver repetição. O segundo ato se arrasta, e boa parte do tempo é gasto em diálogos que não acrescentam nada além de cansaço. Se o diretor tivesse cortado meia hora, o filme ganharia muito.

O roteiro também sofre. Pettus e Sparke não chegam nem perto de criar personagens memoráveis e, Sofia (Tricia Helfer), a paleontóloga soviética (viciada em morfina) com sotaque tão carregado que parece saída de propaganda da Guerra Fria, é o maior tropeço: sua função é explicar coisas óbvias e servir de interesse amoroso para Baker. A personagem é tão artificial que parece ter sido escrita às pressas para preencher uma cota.

O elenco, com exceção de Piven, não ajuda. Falta carisma, falta presença, falta aquele brilho que faz personagens de filmes B se tornarem cult. Sem isso, muitos diálogos soam piegas, e algumas cenas que deveriam ser tensas acabam virando involuntariamente cômicas.

No fim, “Guerra Primitiva” é um filme que entrega exatamente o que promete: dinossauros, sangue, soldados gritando e uma história que não se leva a sério. É perfeito para assistir num voo longo, numa madrugada insone ou quando você quer ver algo absurdamente exagerado sem precisar pensar.

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