
“13º Andar” (13 AKA Botched, 2007) é uma comédia de terror ambientada na Rússia — mas filmada na Irlanda, porque aparentemente a Rússia dos anos 2000 era cara demais ou perigosa demais para filmar um filme sobre psicopatas com espadas.
Ritchie Donovan (Stephen Dorff), um ladrão profissional, é enviado à Rússia para recuperar um crucifixo de ouro depois que um trabalho anterior deu errado. Se ele não recuperar o crucifixo, seu chefe o transforma em estatística. Ritchie e seus dois cúmplices conseguem roubar o crucifixo da cobertura de um prédio comercial, mas tudo desanda quando o elevador quebra. Um dos cúmplices entra em pânico, faz os outros passageiros de reféns e, quando finalmente todos saem do elevador, descobrem que estão em um misterioso andar secreto do prédio.
Eles acham que vão negociar com a polícia, mas descobrem que a pessoa no rádio não é policial coisa nenhuma — é um assassino insano que planeja matar todo mundo. Reféns, criminosos, tanto faz. O andar é basicamente o playground do psicopata, e agora todos precisam trabalhar juntos para não virarem decoração permanente do local.
O filme se descreve como uma comédia de terror, o que normalmente poderia deixar muita gente desconfiada. Mas “13º Andar” raramente cai no ridículo ruim: tem um roteiro decente, personagens absurdos e humor que funciona. A estranheza vai aumentando progressivamente, como se o filme estivesse testando até onde pode ir antes de alguém gritar “chega!”. Fanáticos religiosos, um ex-militar delirante, um assassino vestido como guerreiro medieval… é uma mistura de loucura com vários grupos correndo pelo andar escuro, tropeçando em armadilhas mortais e inventando engenhocas ridículas para tentar capturar o assassino.
Há muita violência, mas os efeitos são tão ruins que só podem ser intencionais. Os cadáveres são claramente manequins de borracha, o rato recorrente é tão falso que parece comprado em loja de fantasia infantil, e a mão decepada de um personagem é tão pateticamente falsa que chega a ser charmosa.
A ação é acompanhada por uma trilha sonora alegre e cômica, fazendo o filme parecer uma versão extremamente violenta de “Scooby-Doo”. Os personagens correm pelos corredores labirínticos enquanto o assassino maníaco, vestido como cosplay medieval, os persegue com uma espada. O filme é frequentemente engraçado, às vezes hilário, especialmente graças ao ex-guarda de segurança do exército, que vive dizendo que é o macho alfa enquanto prova, cena após cena, que é completamente incompetente. Em um momento, ele tenta chutar uma porta e acaba com o pé preso no painel — pura poesia.
Dorff, como Ritchie, é uma das poucas pessoas realmente normais ali dentro. Ele sofre com a bizarrice dos companheiros acidentais enquanto só quer completar sua missão e sair daquele pesadelo, mantendo a calma e a serenidade como um verdadeiro profissional.
Apesar da locação sem graça, “13º Andar” funciona muito bem. O cenário serve como panela de pressão para aprisionar os personagens em um caldeirão de loucura. O filme cumpre o que promete: é tanto terror quanto comédia. Efeitos especiais terríveis, atuações exageradas e um enredo praticamente inexistente — tudo isso, de alguma forma, coincide para tornar este filme divertido por noventa minutos.
















