Terra do Ouro: como o novo k-drama do Disney+ aborda as ambições humanas mais sombrias

Conheça os personagens da série de suspense e ação, e saiba como suas tensas jornadas refletem temas como ganância, ética e mais

Não é de hoje que as séries coreanas se tornaram um fenômeno mundial. Chamadas “k-dramas” ou “dramas coreanos”, essas produções contam as mais variadas histórias em diferentes gêneros, contemplando alguns dos maiores talentos do país. Um dos temas mais interessantes entre os abordados por algumas dessas obras é o da ambição humana e os caminhos sombrios que ela pode levar até os melhores de nós. Nesse quesito, um dos melhores exemplos é Terra do Ouro, o eletrizante novo título do Hulu no Disney+.

A série é um suspense de ação carregado de drama que acompanha Heeju (Park Bo young), uma agente de segurança de aeroporto que toma posse de um caixão cheio de barras de ouro. Sem entender a situação em que se meteu, ela inicia uma jornada para ficar com a fortuna que caiu em seu colo, entrando em conflito com figuras do crime em uma trama marcada por ganância, traição e fantasmas do passado.

Ao longo de seus dez episódios, Terra do Ourose dedica a estudar Heeju, mostrando como seu passado difícil a levou até aquele momento e como ele ajuda a entender as escolhas que a jovem faz. Afinal, se uma enorme e inesperada quantia de dinheiro é capaz de mexer com qualquer um, imagine quem passou uma vida de dificuldades e provações causadas pela falta dele?

Mais do que busca por luxo e status, a jovem se agarra ao ouro como uma forma de simplesmente viver uma vida normal, aspirando por um cotidiano que não dependa de sorte e que garanta que ela não precise com violência ou abuso – coisas que viu em primeira mão conforme crescia. Porém, ela é apenas peça nesse complexo tabuleiro de xadrez, que envolve figuras que trazem perspectivas diferentes sobre ambição.

Uma figura importante no k-drama é Lee Dokyung (Lee Hyun wook), o namorado de Heeju. Copiloto de avião, ele encarrega a jovem de receber o caminho do caixão como parte do esquema para pagar uma dívida com os homens perigosos com quem se envolveu.

Tomado por uma perigosa combinação entre desespero e ganância, Dokyung vê no serviço uma oportunidade de não só quitar o que deve, como ainda lucrar ao criar um plano pelas costas dos criminosos – uma ideia que se torna perigosa não apenas para ele mesmo, como também para aqueles ao seu redor.

Esse perigo é materializado no Diretor Park (Lee Kwang soo), um dos figurões da organização que contrabandeou o ouro. Tão perigoso e ameaçador quanto se espera de alguém em sua posição, ele também é sádico, e usa de violência e corrupção como ferramentas na caça à fortuna que desapareceu.

Cego pela cobiça, o Diretor não se importa em tentar comprar, chantagear ou machucar quem quer que cruze seu caminho, seguindo a filosofia que o fim – neste caso, a recuperação do ouro – justifica qualquer meio.

Entre mocinhos e vilões, Terra do Ouro também reserva espaço para figuras que não podem ser definidas por essa dicotomia. O melhor exemplo é Woogy (Kim Sung Cheol), um membro da organização criminosa chefiada pelo Diretor Park, que oferece uma parceria inesperada a Heeju.

Envolvido na história por estar no lugar errado e na hora errada, o jovem é uma incógnita cuja motivação é sobreviver. Com as próprias razões para escolher suas alianças, ele usa a experiência que adquiriu no mundo do crime para tentar se dar bem na ingrata situação em que se meteu.

Terra do Ouro: um conto de ganância em forma de k-drama

Todos esses personagens de Terra do Ouro ajudam a montar um panorama com diferentes pontos de vista a respeito de ganância, ética e limites. Porém, o k-drama ganha vida mesmo na tensa e explosiva colisão dessas figuras, que formam uma teia cujas ações de uns afetam a de outros, revirando o passado e jogando possibilidades alarmantes para o futuro.

Essa mistura entre suspense de arrepiar, ação cheia de adrenalina e drama emocionante é orquestrada por Hwang Jo yoon, roteirista do clássico do cinema coreano Oldboy (2003), e Kim Sung hoon, diretor de Desenfreado (2018), que voltam a unir forças em uma saga criminal com tensão e reviravoltas, mas principalmente atenção aos personagens.

Ao longo de dez episódios, Heeju e companhia realizam o estudo sobre ambição, obsessão por sucesso, ética e moral em uma trama que não para de surpreender tanto os personagens quanto o público. Com desafios urgentes que colocam cada um dos envolvidos no limite, o enredo faz com que seja impossível largá-lo antes de conhecer seu final.

E esse talvez seja o maior tesouro de Terra do Ouro. Afinal, poucas produções podem ostentar uma riqueza de personagens, temas e narrativas capazes de envolver o espectador do começo ao fim.


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