Mestres do Universo, 2026 (por Peter P. Douglas)

Mestres do Universo (Masters of The Universe, 2026), longa-metragem live-action estadunidense, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 04 de junho de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 133 minutos de duração.

A primeira tentativa de transformar o desenho clássico dos anos 80 em live‑action, surgiu com Dolph Lundgren de peruca loira e Frank Langella enterrado em maquiagem, e isso até virou cult — não por qualidade, mas porque conseguiu atingir o raro patamar do “tão ruim que dá a volta e vira divertido”. Um marco do cinema acidental. Já esta nova versão de Travis Knight… bem, ela busca alcançar novos horizontes.

Nicholas Galitzine vive o Príncipe Adam, que foi arrancado de Eternia ainda criança e passou 15 anos preso na Terra, vivendo uma rotina tão empolgante quanto fila de banco. Quando a Espada do Poder reaparece, ele é chamado de volta para encarar Esqueleto (Jared Leto), um sujeito com um crânio no lugar da cara — o que já dispensa qualquer apresentação. Para tentar salvar o que sobrou de Eternia, Adam se junta a Teela (Camila Mendes) e ao decadente Mentor (Idris Elba), que agora parece ter trocado a sabedoria por uma garrafa.

Preciso admitir: nos primeiros 10 ou 15 minutos, eu estava me divertindo mais do que esperava. A cafonice colorida, as roupas absurdas, a maquiagem que parece saída de um desfile temático… tudo aquilo tinha um charme infantil. Era exatamente o espírito de um desenho de sábado de manhã ganhando vida. Eu sabia que, inevitavelmente, voltaríamos para a Terra cinzenta e sem graça, e já estava preparado para sofrer. Mas, surpreendentemente, essa parte também funcionou.

Normalmente, esses filmes seguem o caminho do “peixe fora d’água” até a exaustão. Aqui, pelo menos, tentaram algo um pouco diferente. Adam lembra de uma vida inteira que ninguém acredita que existiu, e isso vira uma obsessão silenciosa enquanto ele tenta se encaixar em um mundo que não combina com ele. Isso o torna um protagonista fácil de acompanhar, porque ele é basicamente um cara comum com um passado absurdo. E, felizmente, o filme não perde tempo demais nisso, porque sabe que o público quer ver Eternia e não uma sessão de terapia.

Claro que nem tudo em Eternia funciona. As lutas com espadas e magia até têm seu charme retrô, mas a tentativa de misturar isso com tecnologia moderna resultou em um excesso de chroma key. Em algumas cenas, parecia que os atores estavam recortados e colados no fundo, especialmente durante uma batalha aérea que parecia durar três horas.

O humor do filme alterna entre piadas infantis e insinuações adultas que me fizeram gargalhar — dois exemplos disso: 1) Fisto = Fisting; 2) A zoação com a Geração Z e com o politicamente correto — e o que dizer então do Esqueleto usando roupas de ginástica da Nike? Não dava pra conter o riso. O longa acerta quando abraça a própria estupidez descaradamente.

E, falando em Esqueleto, Jared Leto é a melhor parte do filme. Sim, eu sei. Mas é verdade. Em vários momentos você nem lembra que é ele embaixo da máscara de tão imerso que está no personagem. E, felizmente, não é aquele tipo de “imersão” dele que envolve enviar presentes duvidosos para colegas de elenco. Aqui, ele só interpreta um vilão ridiculamente exagerado.

No geral, “Mestres do Universo” (2026) é um filme que entretém, do tipo que você assiste com um balde de pipoca e zero expectativas. Tem força? Olha… não exatamente. Se estende mais do que deveria. Mas, pelo poder de Grayskull, é o melhor “Mestres do Universo” já feito — o que não é exatamente um grande elogio, mas é o que temos! Lembrando que é importante ficar até o final, pois, o filme conta com 3 cenas pós-crédito.

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