
Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2026), longa-metragem estadunidense de comédia, distribuído pela Paramount Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 04 de junho de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 95 minutos de duração.
Embora os dois primeiros filmes da franquia dos irmãos Wayans podem não ser considerados, por muitos, uma obra-prima, dá para reconhecer que, pelo menos naquela época, eles realmente tentavam fazer piadas de verdade. Funcionavam? Às vezes sim, às vezes não, mas havia esforço — o que já é mais do que se pode dizer dos três desastres (dos quais não participaram) que vieram depois, que pareciam feitos por gente que desistiu no meio do caminho e entregou o resto para um estagiário azarado. Eis que, depois de anos de brigas judiciais que foram mais interessantes do que alguns filmes da franquia, os irmãos originais conseguiram retomá-la. E, contra toda lógica, isso reacendeu uma fagulha de esperança de que talvez surgisse um novo “Todo Mundo em Pânico”.
Pois bem, duas décadas e meia depois, reencontramos Cindy (Anna Faris), Brenda (Regina Hall), Shorty (Marlon Wayans) e Ray (Shawn Wayans). Normalmente, aqui seria correto explicar o enredo, mas sejamos sinceros: é basicamente “Pânico”, misturado com outros sucessos recentes: como quem faz um suco de frutas com tudo que sobrou na geladeira. Ninguém envolvido na produção parecia muito preocupado com a história, então você também não precisa se preocupar. A única pergunta que importa é: tem algo engraçado? E, para nossa surpresa — e provavelmente para a deles também — sim, tem!
Ao tentar ressuscitar um gênero que estava mais enterrado do que vilão de filme slasher, o longa tinha dois caminhos possíveis. O primeiro: ficar completamente ultrapassado, com piadas que já nasceriam velhas. O segundo: tentar ser tão “corajoso” que acabaria apenas sendo desagradável. A campanha de marketing prometia que “não haveria limites”, o que geralmente é código para “não temos piadas, então vamos jogar qualquer coisa polêmica e torcer para alguém rir”. E, claro, existe o pequeno detalhe de que o filme tenta brincar com quase dez anos de terror, incluindo obras que já foram esquecidas até pelos próprios diretores. Tem referência de 2017, de 2019, de anteontem… um verdadeiro passeio pelo museu do “ah, é mesmo, isso existiu”.
E, ainda assim, o resultado não é um desastre. A proporção entre piadas boas e ruins é surpreendentemente aceitável. Tem as clássicas piadas escatológicas que já vimos mais vezes do que gostaríamos, e tem também aquele humor do tipo “olha, eu reconheço esse personagem”. Mas, para total perplexidade, perdemos a conta de quantas vezes realmente rimos. Não é necessário ter visto tudo que saiu no terror recente, mas ajuda — e muito — porque o filme recompensa quem acompanhou o gênero.
Os Wayans claramente se divertiram zombando da evolução do cinema desde os anos 90, assim como da evolução do mundo — ou da falta dela. Mas, para quem teme que o filme tente acompanhar essa evolução, pode relaxar: “Pânico” continua sendo a única coisa que realmente move a trama. Aliás, seria legal ver a reação de alguém que nunca viu nada da franquia original. Dá pra imaginar que a pessoa ficaria completamente perdida, o que só deixaria tudo ainda mais engraçado.
No geral, “Todo Mundo em Pânico 6” se resume ao seguinte: se você gosta do humor dos irmãos Wayans, vai encontrar exatamente isso aqui, só que multiplicado. O filme sabe o que é, não tenta fingir que é algo mais sofisticado, e ainda quebra a quarta parede várias vezes para garantir que você entenda isso. Não há truque, não há pretensão, não há tentativa de te convencer de que está vendo algo profundo. Você entra sabendo o que vai receber. E, com essa expectativa, dá para se divertir bastante.
















