
O Afinador (Tuner, 2025), longa-metragem canadense de drama e suspense criminal, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 11 de junho de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 107 minutos de duração.
Leo Woodall vive Niki White, um afinador de pianos que enfrenta limitações auditivas e trabalha ao lado de Harry Horowitz (Dustin Hoffman), seu amigo e veterano de profissão. Certo dia, Niki percebe que o mesmo ouvido treinado que usa para ajustar instrumentos também serve para abrir cofres. Quando Harry passa por um problema sério de saúde e acaba internado, Niki decide usar esse talento escondido para tentar ajudá‑lo com as despesas do hospital. A partir daí, como era de se esperar, tudo começa a sair do controle.
A trama é direta e não pretende reinventar nada, mas tem um estilo próprio que a diferencia de produções policiais mais antigas. Grande parte disso vem do trabalho sonoro, que é o verdadeiro destaque. Em histórias envolvendo personagens com perda auditiva, sempre existe o risco de transformar esse fato em muleta. Aqui, porém, o som funciona como uma espécie de guia para entendermos o que Niki enfrenta. Durante as cenas em que ele tenta abrir cofres, cada ruído ganha importância. Às vezes surge uma música encaixada com precisão; outras, o que domina é a percepção ampliada de pequenos sons que, para qualquer pessoa, passariam despercebidos. Quando ele está concentrado, a tensão aumenta porque ouvimos tudo como ele: detalhes que normalmente ignoraríamos surgem com força suficiente para deixar qualquer um inquieto.
Woodall combina muito bem com esse tipo de personagem. Niki é aquele sujeito que desperta simpatia mesmo quando toma decisões ruins. Não é um criminoso por natureza, mas se envolve com gente complicada e acaba afundando cada vez mais. Diferente de figuras vilanescas que já nascem como um desastre ambulante, Niki parece alguém que ainda pode se salvar, o que torna sua trajetória mais angustiante. A produção também separa bem sua vida pessoal da sua vida “profissional”, o que faz com que o público sinta o impacto quando as duas começam a colidir.
O romance com Ruthie (Havana Rose Liu), uma estudante de música, funciona muito bem. A sintonia entre os dois é clara desde o início, até mesmo nas cenas mais leves, quando Niki ainda está trabalhando com Harry. Aliás, é ótimo ver Dustin Hoffman de volta. Ele aparece pouco, mas aproveita cada minuto, soltando comentários afiados que lembram por que ele sempre foi tão querido no cinema. Voltando a Woodall, sua atuação aqui deve abrir portas para papéis maiores. Ele entrega um protagonista que desperta torcida, irritação e empatia na medida certa.
No geral, “O Afinador” é um ótimo exemplar de uma história que envolve assalto em escala menor, com ritmo certeiro e um uso de som que realmente faz diferença. Uma produção divertida, bem amarrada e que sabe exatamente o que quer entregar.











