
Diamantes (Diamanti, 2024), longa-metragem italiano de drama, distribuído pela Pandora Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 21 de maio de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 135 minutos de duração.
Seria fácil demais descartar “Diamantes” como uma novela melodramática com orçamento gordo. Mas não — é uma obra de arte acessível, charmosa e emocional, dedicada à magia de um ambiente criativo e à forma como mulheres transformam o banal em sublime. Seja criando um vestido, seja criando… este filme.
Com um elenco tão grande que parece ter sido escalado por alguém que simplesmente não sabe dizer “não”, “Diamantes”, de Ferzan Ozpetek, reúne cerca de vinte e duas pessoas — algumas interpretando a si mesmas — para oferecer um vislumbre deliciosamente caótico da vida de artistas em Roma. A maior parte da obra se passa nos anos 70, dentro da companhia de figurinos Canova, mas tudo se inicia em um almoço na época atual, onde Ozpetek chama suas atrizes favoritas (com as quais já trabalhou anteriormente), serve vinho, pão e drama, anunciando: “Gente, tive uma ideia de filme”.
Logo de cara, o espectador é jogado no meio da ação sem manual de instruções. O diretor confia que você vai entender o contexto — e, quando não entender, o diálogo mais tarde confirma. A espinha dorsal da história é Alberta (Luisa Ranieri), uma mulher exigente, rígida e com uma língua tão afiada que poderia cortar tecido sem tesoura. Ela observa tudo, julga tudo e mantém as coisas funcionando com uma elegância quase militar. As costureiras, a cozinheira, a tintureira — todas são apresentadas com personalidade distinta, e o filme faz questão de mostrar que, fora do trabalho, cada uma vive um universo próprio. Nada de “todas iguais”, como ocorre em certas produções.
Tem de tudo: mães dedicadas, solteiras felizes, solteiras infelizes, mulheres casadas que parecem felizes mas claramente não estão, vítimas de violência doméstica, e até aquelas que permanecem um mistério total. Os homens? Ah, os homens. Eles existem, claro — mas são quase acessórios. Objetos sexuais, parceiros sensíveis, brutamontes grosseiros… todos tridimensionais, mas sempre em segundo plano.
Visualmente, “Diamantes” é um espetáculo. Ozpetek e o editor Pietro Morana transformam espaços confinados em algo grandioso. O filme também quebra a quarta parede — Ozpetek aparece, os atores aparecem como eles mesmos, e o passado é tratado como memória compartilhada. É ficção, mas também é lembrança. É cinema, mas também é vida. E o filme sugere que, para quem cria, essas fronteiras são sempre borradas.
E claro: nada disso existiria sem Stefano Ciammitti, figurinista responsável por vestir duas épocas, uma peça teatral fictícia e um filme fictício dentro do filme. O homem trabalhou mais que costureira em semana de desfile.
No fim, “Diamantes” é uma obra divertida, sensível e cheia de camadas. Preparem os lenços, deem boas risadas e chorem bastante enquanto admiram belas roupas na tela em um filme dedicado ao poder feminino. “Não somos nada, mas somos tudo”.













