Asako I & II (por Peter P. Douglas)

Asako I & II (Netemo Sametemo, 2018) é um filme japonês de romance dramático divido em dois arcos, durante sua duração de 119 minutos. No primeiro arco, conhecemos Asako (Erika Karata), jovem, elegante e com um talento especial para se apaixonar pelo pior tipo de homem possível. No caso, Baku (Masahiro Higashide) — o sujeito que sua amiga vive avisando para ela evitar, porque ele some mais do que notificação de crush. Ele é volúvel, imprevisível e desaparece com a mesma facilidade com que aparece. Até que um dia… puff. Some para sempre. E Asako, claro, nunca supera. Porque sempre tem aquele amor antigo que vira fantasma emocional.

E então chegamos ao segundo arco! Asako agora está namorando um homem que é a cara do Baku — literalmente, porque é o mesmo ator — mas com a personalidade completamente oposta. Esse é Ryohei, um doce de pessoa, apaixonado por Asako por motivos que o filme não se dá ao trabalho de explicar. Ele a ama tanto que parece até propaganda.

Mas aí… Baku volta. Agora modelo e ator de sucesso, porque claro que o ex-problema sempre volta mais bonito e mais famoso. E Asako, que nunca superou nada, entra em parafuso. O resultado é uma sequência de eventos meio tristes para todos os envolvidos, porque Baku continua sendo Baku (ou seja, um babaca), e Asako continua sendo Asako (ou seja, emocionalmente presa em 2009). E pronto. Essa é literalmente a história. Simples, direta e com zero vergonha de ser assim.

O diretor Ryūsuke Hamaguchi entrega algumas tomadas belíssimas em um filme que aborda dor, acaso, amor e perda. É uma história de amadurecimento surpreendentemente imprevisível para o gênero. É até revigorante ver um drama que não segue a fórmula padrão, mas aí chega o final… que aparece do nada, derruba a narrativa e quase apaga tudo o que foi construído. Ainda assim, a obra explora muito bem a confusão emocional de se apaixonar por duas pessoas que são fisicamente iguais — literalmente.

O filme adora subverter expectativas e faz isso com estilo. É um estudo de personagens, não de trama. No ato final, você percebe que realmente se importa com aquelas pessoas, o que torna o desfecho ainda mais frustrante. Mas faz parte da experiência.

E, claro, não posso terminar sem mencionar Jitan, o gato. Ele merece um prêmio. Talvez dois. É um dos melhores gatos já colocados em um longa-metragem. Boa sorte para os felinos que tentarem superá-lo.

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