Benny Loves You, 2019 (por Casal Doug Kelly)

O objeto mais antigo que tenho é um Bisonho (o Ió do Ursinho Pooh) que me acompanha desde os 15 anos. Guardei esse coitado como se fosse um artefato sagrado, sempre garantindo que ele não fosse perdido, doado ou sequestrado por parentes intrometidos. Mas depois de assistir “Benny Loves You” (2019), agora eu o trato como se fosse uma relíquia amaldiçoada: jamais será descartado, doado ou colocado perto de uma lixeira. Vai que ele resolve se vingar.

“Benny Loves You” foi escrito e dirigido pelo estreante Karl Holt, que também interpreta o protagonista Jack — porque nada diz “cinema independente” como dirigir, atuar e provavelmente carregar os cabos. A história acompanha Jack, um homem preso emocionalmente na infância. Após a morte dos pais, tudo piora quando ele decide jogar fora Benny, seu ursinho de pelúcia favorito. Péssima ideia. Benny volta à vida e, com a fofura de um mascote infantil e a eficiência de um serial killer, elimina qualquer pessoa que ouse demonstrar afeto por Jack.

O filme apresenta ao terror o psicopata mais adorável já criado. É impossível não rir — e às vezes até torcer — pelo ursinho assassino. O humor britânico está presente em cada cena, aquele tipo de humor seco que te faz rir e pensar “não sei se era pra eu estar rindo disso, mas já foi”.

Além do humor verbal, o filme é um festival de piadas visuais. Benny se move como um fantoche hiperativo, e isso só aumenta o charme absurdo da situação. Nada de movimentos humanos realistas: ele anda como um boneco possuído por um espírito brincalhão. É tão ridículo que funciona perfeitamente. Cada cena com Benny é uma mistura de fofura, caos e violência cartunesca.

Falando em violência: Benny pode ser adorável, mas também é um artista da faca. As mortes são grotescamente sangrentas, mas tão exageradas que parecem saídas de um desenho animado para adultos. O CGI às vezes entrega o jogo, mas isso só deixa tudo mais engraçado — como se o filme dissesse: “sim, é um ursinho de pelúcia matando gente, relaxa e aproveita”.

A relação entre Jack e Benny é um show à parte. O filme levanta um dilema moral importantíssimo: se seu brinquedo de infância ganhasse vida e começasse a matar pessoas, você destruiria ele… ou ficaria com dó? Jack claramente não sabe responder. E, em alguns momentos, ele até usa o lado homicida de Benny para tentar melhorar sua própria vida. Ético? Não. Divertido? Muito.

O elenco de apoio também brilha. Dawn (Claire Cartwright), o interesse amoroso, e Richard (George Collie), o colega de trabalho, têm seus momentos de humor e ajudam a história a fluir. Ninguém está ali à toa — mesmo que alguns estejam ali apenas para encontrar a lâmina afiada de Benny.

No fim das contas, “Benny Loves You” é um filme deliciosamente grotesco, exatamente do tipo que o terror precisava. O ritmo é ótimo, as atuações funcionam, as mortes são hilárias e o humor seco combina perfeitamente com o enredo absurdo. Benny é um assassino irresistível, um ícone do terror fofinho, e um lembrete importante: nunca jogue fora seus brinquedos de infância. Nunca!

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