Eclipse, 2025 (por Peter P. Douglas)

Eclipse (2025), longa-metragem nacional de drama e suspense, distribuído pela Pandora Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 07 de maio de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 109 minutos de duração, dirigido e protagonizado por Djin Sganzerla que também assina o roteiro ao lado de Vana Medeiros.

A trama nos apresenta Cleo (Djin Sganzerla), uma astrônoma de 43 anos, grávida, que é surpreendida pela visita de sua meia-irmã Nalu (Lian Gaia), de 27 anos, de origem indígena, que lhe revela um segredo perturbador, tentando despertar memórias fragmentadas em Cleo. Buscando uma sororidade severa e com uma estranha conexão com uma onça, Nalu quer e irá desestabilizá-la. Semanas depois, Cleo descobre atividades suspeitas no computador do marido, Tony (Sergio Guizé). Com habilidades tecnológicas adquiridas ao ajudar seu antigo chefe a espionar celulares de funcionários em uma fazenda (da qual está foragida por quase matar um jovem), Nalu ajuda Cleo a investigar Tony, que esconde um passatempo sombrio, enquanto mergulham nas entranhas da Deep Web.

Uma coisa é certa: a equipe de marketing de “Eclipse” merece um aumento, um troféu e talvez até um feriado municipal. O trailer? Irresistível. A sinopse? Um convite sedutor. A vontade de assistir? Instantânea. E é exatamente aí que a magia acaba e os elogios param.

“Eclipse” é aquele tipo de filme que abre subtramas, mas nenhuma delas sabe para onde está indo. É como se o roteiro tivesse colocado o GPS no modo “surpresa”. Tudo isso para culminar em um clímax tão anticlimático que, ironicamente, parece até pegadinha (o equivalente cinematográfico de um balão murchando lentamente).

Os diálogos são tão respeitosos quanto uma porta batendo na sua cara, e ainda conseguem provocar indignação quando se referem a polícia e o judiciário — não porque o filme é crítico, mas porque ele simplesmente joga tudo no ventilador sem o menor cuidado. Para deixar bem claro como cheguei a essa conclusão, mencionarei, abaixo, algumas situações:

Nalu, vítima de assédio e violência sexual, resolve agir com as próprias mãos (pois, aparentemente, denunciar o agressor é coisa para amador), ainda que as situações pela qual foi submetida não tenham ocorrido em um curto espaço de tempo. Ademais, além de não procurar ajuda, desestimula Cleo a procurar a polícia, lhe dando (sem porte) uma arma de fogo (que não é dela e não tem registro) para “resolver” a situação… até resolve, mas só porque o roteiro quis. Já que se tivesse agido dentro da lei anteriormente, não seria necessário chegar a esse ponto. Violência realmente se combate com violência… Só Que Não!

Em outra oportunidade, Cleo e Tony conversam sobre o serviço deste, momento em que relata o caso de um homem que casou com uma mulher bem mais nova, e que mesmo com provas, de que a mulher era agredida pelo marido (com laudos e fotos), eles iriam perder o processo.

Tratar violência contra a mulher com tanta leviandade é um desserviço monumental. O filme praticamente faz questão de repetir, cena após cena, que polícia e judiciário não servem para nada. A situação da Nalu é tão absurda que parece até sátira… mas não é. E isso torna tudo ainda mais desconfortável.

O longa tenta falar de obscuridade moral, violência contra a mulher e masculinidade tóxica. Temas importantes, claro. Pena que o filme os trata com a delicadeza de um rinoceronte andando de salto alto. A mensagem parece ser: “vamos discutir assuntos sérios… mas sem responsabilidade nenhuma”.

O roteiro toma tantas decisões sem sentido que você, como espectador, se sente pessoalmente insultado. É como se o filme pegasse seu cérebro, amassasse, jogasse no lixo e dissesse: “relaxa, é arte”. A tensão até existe, mas as atuações artificiais e o texto atrapalhado não ajudam em nada. Empatia? Só se for com o seu próprio tempo perdido. E sem empatia, até os defeitos pequenos viram crateras.

No fim, “Eclipse” é o retrato perfeito de potencial desperdiçado. A ideia estava lá, brilhando, acenando, pedindo para ser aproveitada. Mas o roteiro limitado transformou tudo em uma grande sombra — e não no sentido poético.

Se o marketing foi um eclipse solar total, o filme foi… um pisca-pisca queimado.

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