Um Pai Em Apuros (por Peter P. Douglas)

Um Pai em Apuros (2025), longa-metragem nacional de comédia familiar, distribuído por +Galeria, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 23 de abril de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 103 minutos de duração.

No filme, Roberta (Dani Calabresa) e Fred (Rafael Infante) formam aquele casal que claramente acreditou demais no poder do amor… e acabou com quatro filhos como souvenir dessa empolgação. Tem o João (Xande Valois), o mais velho e que deveria ser o mais sábio… deveria; a Malu (Bella Alelaf), que vive a fase “ninguém me entende”; a Clarice (Lara Infante), que é filha do protagonista na ficção e na vida real — porque nepotismo familiar é o mais fofo de todos — e o TomTom, interpretado pelos gêmeos Caio e Pedro Costa, porque um só não dava conta.

Fred trabalha como gerente de RH na Casa do Coelho, o tipo de empresa que parece fofinha no nome, mas dá dor de cabeça suficiente para justificar o chopp sagrado de terça-feira com o amigo e colega de trabalho Matheus (Babu Santana). Entre um gole e outro, nosso protagonista pensa em formas de impressionar o chefe para ganhar uma promoção, enquanto disputa espaço com Dante (Dan Ferreira), um rival que tem aquela família tão perfeita que parece ter saído de um comercial de margarina que ninguém acredita de verdade.

Roberta, por sua vez, largou a carreira de advogada para virar CEO da própria casa — cargo que paga zero reais e exige 24 horas de dedicação. Até que sua irmã (Livia La Gatto) mais nova, aparece com a proposta mais ousada desde o surgimento do Pix: dez dias na Bahia com tudo pago. Roberta aceita, porque ninguém é de ferro, e aí a casa vira um experimento social digno de reality show.

Sem a rotina imposta por Roberta, Fred tenta assumir o comando da residência, equilibrando trabalho, filhos, tarefas domésticas e uma sequência de imprevistos que parece ter sido escrita por alguém que realmente odeia o protagonista. Eis que entra em cena Brenda (Maclá Tenório), que chega para ajudar, mas acaba inaugurando uma nova temporada de confusões — porque, claro, a vida de Fred estava tranquila demais. O resultado é uma comédia popular sobre aprendizado com uma família que tenta sobreviver a dias que saíram completamente do controle.

Carol Durão dirige tudo com o espírito de alguém que já viu muitos pais perderem o controle em festas infantis e decidiu transformar isso em cinema. O filme abraça o caos cotidiano com entusiasmo, como se dissesse: “Sim, a vida é isso mesmo, aceite”. A diretora conduz a história com ritmo acelerado, como se estivesse tentando impedir que o público percebesse que está rindo de situações que, na vida real, fariam qualquer um pedir demissão da própria família.

Apesar de ter um elenco adulto afiado que tem plena consciência do que está fazendo, é Rafael Infante quem domina a tela. Ele corre, tropeça, tenta negociar com crianças, adultos, animais e, em certo momento, com o próprio destino, e tudo isso de forma natural (nada é forçado).

O núcleo infantil não fica muito atrás, com interpretações que se distanciam bem do caricato, tornando-os uma força da natureza: imprevisíveis, barulhentos e sempre prontos para transformar qualquer ambiente num campo de batalha.

O humor é daquele tipo que mistura desespero com ternura, como quando o protagonista tenta resolver um problema simples e acaba criando cinco novos. Há momentos em que o filme parece uma maratona de obstáculos emocionais, mas sempre com um sorriso no rosto — ou pelo menos com a expressão de quem já desistiu de lutar contra o inevitável.

O filme tem seus altos e baixos, como qualquer comédia familiar que se preze. Há momentos em que a história parece dar voltas demais, como um pai procurando o controle remoto que estava no bolso o tempo todo. Mas, no geral, “Um Pai em Apuros” cumpre o que promete: diverte, distrai e faz o público pensar “pelo menos minha vida não está tão bagunçada assim”.

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