Turbulência, 2025 (por Peter P. Douglas)

Turbulência (Turbulence, 2025), longa-metragem de suspense, coprodução EUA e Grã-Bretanha, distribuído pela Diamond Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 19 de março de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 97 minutos de duração.

O filme chega como quem não quer nada e, de repente, te avisa: “Surpresa! A história inteira se passa dentro de um balão de ar quente”. Sim, um balão. Bem acima das Dolomitas italianas. Porque, aparentemente, o cinema já esgotou aviões, trens, submarinos e precisava tentar algo que lembrasse um passeio turístico caro no Airbnb Experiences. E, olha, até funciona. O filme é tenso, enxuto e até empolgante… pelo menos até o terceiro ato, quando a trama resolve dar um nó em si mesma.

A aventura começa com Zach (Jeremy Irvine), um CEO que está tendo um dia tão ruim que até o RH sentiria pena. Um funcionário demitido invade sua festa, faz um discurso dramático e, no fim, decide que o alvo era ele mesmo. Trauma instalado, Zach vai ao bar afogar as mágoas, onde surge Julia (Olga Kurylenko), uma femme fatale com energia de “golpe do WhatsApp”, só que presencial. Ela tenta seduzi-lo, ele diz que é casado, e tudo parece resolvido — até o dia seguinte, quando Zach e sua esposa Emmy (Hera Hilmar) embarcam para uma segunda lua de mel, incluindo um passeio romântico de balão. E adivinha quem aparece no balão? Claro. Julia.

Antes disso, Zach começa a receber mensagens de chantagem: Julia quer dinheiro para não contar à esposa sobre “a noite quente” que eles supostamente tiveram. Ele nega tudo, diz que ela vai ouvir dos advogados dele, e sobe no balão achando que o pior já passou. Tadinho.

O operador do balão é Harry (Kelsey Grammer), um americano simpático que se aposentou na Itália e agora pilota balões porque, aparentemente, golfe não era emocionante o suficiente. Ele é o único ali com energia de “pessoa normal”, o que já o torna automaticamente o melhor personagem.

Quando Julia entra no cesto, a tensão vira praticamente um escape room emocional. Ela provoca Zach sem parar, faz insinuações, joga verde, colhe maduro, e quando Harry tenta acalmar a situação, ela simplesmente solta: “Eu e Zach transamos”. Zach nega, Emmy fica com aquela cara de “eu sabia”, e o balão continua subindo, porque gravidade emocional não afeta altitude.

Por um tempo, “Turbulência” vira “Atração Fatal” (Fatal Attraction, 1987) versão turismo radical. E é divertido. Claudio Fäh dirige tudo com firmeza, aproveitando o espaço minúsculo para criar uma claustrofobia que faria até quem não tem medo de altura repensar essa atitude. A fotografia é bonita, o balão é colorido, o céu é azul, e os efeitos especiais… surpreendentemente não parecem feitos no Paint 3D.

Mas aí o filme resolve explicar as motivações de Julia. E, meu amigo, aí desanda. A revelação é tão pouco convincente que parece saída de um rascunho esquecido no fundo da gaveta. O que ela quer — dinheiro — não combina com o motivo revelado, e a história perde justamente o charme que tinha quando Zach parecia inocente.

O elenco, pelo menos, se esforça. Kelsey Grammer está ótimo, mesmo sendo subutilizado. Olga Kurylenko entrega uma Julia deliciosamente imprevisível, com aquela energia de “não sei se vou te beijar ou te empurrar do balão”. Hera Hilmar faz a esposa amorosa que vai perdendo a paciência, e Jeremy Irvine interpreta Zach com uma mistura de CEO confiante e homem que claramente não deveria sair sozinho sem supervisão.

No fim, “Turbulência” diverte. São só 97 minutos, passa rápido, e as cenas no balão — especialmente quando tudo dá errado — são bem feitas. Só não espere coerência absoluta. Ou coerência moderada. Ou… bom, você entendeu.

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