Os Estranhos – Caçada Noturna (por Peter P. Douglas)

Eu realmente gostei de “Os Estranhos” (2008). Era um slasher, claro, mas um slasher com boas maneiras: menos tripas voando, mais atmosfera sufocante e aquela sensação gostosa de “alguém está me observando e provavelmente tem uma faca”. Havia algo perturbador na aleatoriedade da violência, como se os assassinos tivessem decidido aterrorizar o casal simplesmente porque estavam entediados. Era um filme de invasão domiciliar com facas rodopiando, mas com classe suficiente para esconder seus defeitos. A sequência, porém… ah, a sequência.

Demoraram dez anos para lançar “Os Estranhos: Caçada Noturna” (The Strangers: Prey at Night, 2018), mas honestamente parece que gastaram dez dias — e isso incluindo o tempo de almoço. É uma continuação superficial que dá saudade dos clichês bem feitos do primeiro filme. Nada do que funcionava antes está aqui, e nada novo aparece para compensar. O filme simplesmente joga meia dúzia de personagens sem personalidade no meio dos assassinos e espera que a gente se importe. Eu, pessoalmente, não me importei nem um pouco.

O filme já começa, novamente, com o clássico “Baseado em fatos reais”, que aqui funciona como um aviso: “Prepare-se, vamos mentir para você”. Bryan Bertino, criador da série, disse que a inspiração veio dos assassinatos da Família Manson e de roubos que viu na infância. No primeiro filme, até dá para sentir essa influência. Nesta sequência? Só se você olhar com muita boa vontade e estiver de olhos semicerrados.

A trama é o básico do básico: Cindy (Christina Hendricks) e Mike (Martin Henderson) levam seus dois filhos adolescentes — que se odeiam com a energia típica de quem divide banheiro — para um fim de semana em família. A ideia é unir o grupo antes de mandarem a filha, Kinsey (Bailee Madison), para um internato. O irmão, Luke (Lewis Pullman), fica ali no meio, servindo de amortecedor emocional. Eles chegam ao parque de trailers dos tios e, claro, só encontram Dollface, Pin-Up Girl e o Homem da Máscara. Sim, eles têm nomes. Sim, eu também precisei pesquisar.

O terror começa, o caos começa, e o filme tenta fingir que está construindo algum tipo de arco emocional. Mas não se engane: o único arco aqui é o dos personagens abrindo portas lentamente, andando lentamente, virando esquinas lentamente… e, quando lembram que estão em um filme de terror, correndo freneticamente. É um festival de clichês reciclados, mas sem uma utilização tão boa.

Enquanto eu assistia, uma frase me acompanhou o tempo todo: “não é tão interessante quanto o primeiro, mas ainda assim é divertido”. E isso resume perfeitamente “Os Estranhos 2 – Caçada Noturna”. É previsível, é raso, é cheio de momentos que você já viu mil vezes — mas, depois de dez anos, pelo menos entregaram uma sequência que não é um desastre completo. É pouco? É. Mas para um filme que claramente não se esforçou muito, até que está de bom tamanho.

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