
Os Estranhos (The Strangers, 2008) é o tipo de terror que chega avisando: “Sim, você já viu tudo isso antes, mas vai pular da cadeira do mesmo jeito.” E, surpreendentemente, cumpre exatamente essa promessa. O filme é tão previsível quanto um susto barato em casa mal-assombrada de parque de diversões — e ainda assim funciona.
A fórmula é a mais clássica possível: psicopatas mascarados, machados, facas, um casal indefeso e uma casa isolada no meio do nada. As linhas telefônicas são cortadas, os vilões aparecem atrás dos protagonistas como se tivessem teletransportado e tem até o momento “me escondo no armário e olho pelas frestas”, que já deveria ter aposentadoria compulsória. Tudo isso já foi visto em absolutamente todos os lugares — e o filme sabe disso.
Mas aí entra o truque: apesar de ser um bingo de clichês, “Os Estranhos” é assustador. A direção e a fotografia fazem o trabalho pesado, transformando o previsível em tensão real. A floresta ao redor da cabana parece engolir os personagens, criando uma atmosfera que faz você pensar duas vezes antes de apagar a luz. É um terror que entrega o que promete — nada mais, nada menos.
Claro, o filme também traz seus momentos de pura vergonha alheia. O narrador de voz grave no prólogo, por exemplo, insistindo que “esta história é baseada em fatos reais”, é tão brega que parece ter sido reciclado diretamente de “O Massacre da Serra Elétrica” de 1974. Isso insulta a inteligência do espectador — porque todo mundo sabe que “baseado em fatos reais” em filme de terror significa “alguém ouviu um boato no posto de gasolina e achou que dava um roteiro”.
No fim, “Os Estranhos” é exatamente o que se propõe a ser: um terror previsível, eficiente e assustador. Não reinventa nada, não surpreende praticamente ninguém, mas cumpre sua função com competência. É o tipo de filme que você assiste sabendo exatamente o que vai acontecer — e mesmo assim leva um susto no meio. E, convenhamos, isso já vale uns bons pontos.
















