
Pai Mãe Irmã Irmão (Father Mother Sister Brother, 2025), longa-metragem de comédia dramática, coprodução Estados Unidos, França, Irlanda, Itália e Japão, distribuído por Mubi e Imovision, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 09 de abril de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 110 minutos de duração.
Não sou exatamente um especialista no diretor Jim Jarmusch, mas levando em conta seus últimos filmes, sei o suficiente para esperar uma vibe zen: aquele cinema que fala baixinho e anda devagar. “Pai Mãe Irmã Irmão” entrega exatamente isso — um recorte do cotidiano tão tranquilo que meu comprimido de cafeína teve que trabalhar horas extras para impedir que eu me tornasse parte da mobília do cinema na sessão da manhã.
O filme é dividido em três histórias independentes sobre laços familiares: “Pai”, “Mãe” e “Irmão e Irmã”. Repito: nenhuma delas tem conexão direta entre si, seja em termos de enredo ou personagens. Uma história se passa em Nova Jersey, outra na Irlanda, outra na França — um verdadeiro tour mundial.
Em “Pai”, dois irmãos, Jeff (Adam Driver) e Emily (Mayim Bialik) visitam o pai (Tom Waits) que vive no meio do nada, numa “pobreza” tão estilizada que parece até conceito artístico. Em “Mãe”, as irmãs, Timothea (Cate Blanchett) e Lilith (Vicky Krieps) visitam a mãe (Charlotte Rampling) bem-sucedida e emocionalmente intimidadora. Já em “Irmã Irmão”, – a mais difente em conteúdo entre as três devido a seu alto tom de compaixão – Indya Moore e Luka Sabbat relembram seus pais falecidos recentemente.
Jarmusch repete objetos, frases e imagens como se estivesse deixando pistas para um enigma que talvez nem exista. “Bob é seu tio”, um Rolex suspeito, skatistas aleatórios… aparecem em todos os segmentos, como se fosse um bingo secreto que só ele sabe jogar. O que isso significa? Boa pergunta. Talvez seja sobre família. Talvez seja sobre destino. Talvez seja sobre o tempo e a solidão. Talvez seja só Jarmusch se divertindo enquanto o público tenta encontrar profundidade onde talvez só exista estética. O próprio diretor disse numa coletiva: “Eu não queria que o filme dissesse nada.” E olha, missão cumprida com excelência.
Individualmente, as histórias têm seus momentos. “Pai” tem um humor estranho que funciona. “Mãe” mostra duas filhas tentando impressionar sua genitora, ainda que estejam se enganando. “Irmã e Irmão” é doce, quase terapêutico. Mas, somadas, as três histórias criam uma experiência que parece maior do que deveria — e não no bom sentido.
No fim, “Pai Mãe Irmã Irmão” é totalmente assistível e envolve o suficiente para prender a atenção — desde que você esteja disposto a entrar no ritmo contemplativo, lento e levemente sonífero de Jarmusch. É simpático, tem bons atores, tem momentos bonitos… mas também tem aquele efeito colateral clássico: a sensação de que você está assistindo a algo que poderia ter sido 20 minutos mais curto e ninguém notaria.
















