
Eles Vão Te Matar (They Will Kill You, 2026), longa-metragem estadunidense de terror, comédia e ação, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de março de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 95 minutos de duração.
A mania sangrenta da fraquia “Evil Dead“ e o estilo Tarantino de “Kill Bill” claramente correm nas veias de “Eles Vão Te Matar”, do diretor Kirill Sokolov — só que, em vez de um herói azarado tentando sobreviver, Sokolov entrega Zazie Beetz, uma força da natureza que pega o filme pelo pescoço, dá três chacoalhadas e diz: “agora é assim”. E o filme obedece.
Sokolov, que escreveu o roteiro com Alex Litvak (Predadores, 2010), não perde tempo com firulas. Ele abre o filme com uma introdução rápida, sombria e eficiente sobre Asia Reaves (Beetz), que vive uma crise doméstica tão perturbadora que termina na prisão. Isso já estabelece o tom: Asia é o tipo de mulher que, se disser que vai resgatar Maria (Myha´la) – sua irmã – você acredita e sai da frente.
A missão dela a leva ao condomínio de luxo Virgil — aquele tipo de prédio tão exclusivo que você já sabe que tem coisa errada. Lá, Asia vira empregada doméstica sob a supervisão de Lily (Patricia Arquette), a gerente do prédio que tem a energia de alguém que já viu muita coisa e não se impressiona mais com nada. Só que infiltrar-se para resgatar a irmã não é tão simples, porque o Virgil abriga um culto satânico que decide que Asia seria um ótimo sacrifício.
A partir daí, o filme vira um parque de diversões sangrento. Asia mal deita na cama na primeira noite e já precisa entrar em modo “John Wick descalça”. Sokolov coloca Beetz em um teste de resistência digno de reality show mortal: ela corta, esfaqueia, apanha, levanta, bate de novo e segue viva por pura teimosia. É ação, terror e comédia exagerada, tudo misturado com litros de sangue.
Beetz entrega uma variedade de estilos de luta tão grande que parece ter feito estágio em todos os filmes de ação dos últimos 30 anos. Cada cena tem uma vibe diferente, o que mantém o filme visualmente interessante mesmo quando Asia desce cada vez mais fundo nos andares enferrujados e deprimentes do Virgil. O diretor de arte Jeremy Reed cria uma versão divertida e estilizada dos Nove Círculos do Inferno em formato de arranha-céu — tão boa que dá pena que Asia esteja ocupada demais quebrando ossos para explorá-los.
A construção de mundo é superficial? Sim. O enredo é profundo como uma poça d’água? Também. Mas o filme sabe disso e não tenta fingir o contrário. Ele apresenta personagens com pinceladas genéricas e deixa o elenco preencher o resto com carisma e maluquice.
Patricia Arquette está ótima como Lily, firme, humana e ligeiramente perigosa. Heather Graham, por sua vez, aparece como Sharon, uma auxiliar litúrgica do culto que se diverte horrores. Ela rouba a cena sempre que aparece, como alguém que foi convidada para um jantar e decidiu ser a alma da festa.
Sokolov deixa o sangue jorrar como se estivesse tentando bater recorde. Ele mistura faroeste italiano, anime, filme de samurai e um toque de Sam Raimi — especialmente em momentos como a cena do globo ocular rebelde, que é tão absurda que dá vontade de aplaudir. É gore com estilo, violência com coreografia e caos com personalidade.
No fim, “Eles Vão Te Matar” não tem profundidade, não tem sutileza e não tem vergonha. Mas tem energia, tem ousadia e tem Zazie Beetz fazendo acrobacias sangrentas que valem o ingresso. É cinema para quem quer desligar o cérebro, ligar o instinto e rir enquanto assiste cultistas sendo triturados. É simples, é exagerado, é ensanguentado — e é hilário. É o tipo de filme que te deixa pensando: “não aprendi nada… mas me diverti muito”.
A genialidade de Zazie Beetz nas técnicas de luta já vale o preço do ingresso para essa experiência ininterrupta, repleta de adrenalina e sangue.
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