Compulsão Assassina, 2013 (por Peter P. Douglas)

Compulsão Assassina (Compulsion, 2013) é aquele tipo de filme canadense independente que chega com a promessa de drama, suspense e profundidade psicológica — e entrega, no lugar disso, uma esquisitice culinária, tensão sexual involuntária e diálogos que parecem escritos por alguém que estava com fome demais para revisar o roteiro.

Dirigido por Egidio Coccimiglio e estrelado por Heather Graham, Carrie-Anne Moss, Kevin Dillon e Joe Mantegna, o longa é um remake do sul-coreano “301/302” de Park Chul-soo, mas com aquele toque ocidental de “vamos fazer igual, só que mais estranho”.

A trama gira em torno de Amy (Heather Graham), uma aspirante a apresentadora de culinária que trata comida com a devoção de um sacerdote e a obsessão de um stalker. Ela cozinha como se estivesse tentando seduzir o mundo — ou pelo menos o namorado Fred (Kevin Dillon), que prefere um fast-food. Quando ele foge para os braços de outra mulher, Amy decide canalizar sua energia para a vizinha Saffron (Carrie-Anne Moss), uma atriz decadente que tenta evitar contato humano com a mesma determinação com que evita carboidratos.

Saffron, traumatizada e misteriosa, faz de tudo para manter Amy longe — mas Amy é insistente, sorridente e ligeiramente perturbadora, como uma anfitriã de programa culinário que nunca desliga o personagem. Aos poucos, as duas criam um laço… daqueles que você olha e pensa: “isso vai dar ruim”. E dá. O filme inteiro é contado em flashback, enquanto um detetive interpretado por Joe Mantegna tenta descobrir por que, exatamente, a vizinha desapareceu. Spoiler: se você viu o trailer, já sabe mais do que deveria.

A relação entre comida e sexo é tratada com a sutileza de um martelo pneumático. Fred come a comida de Amy e depois “come” a própria Amy, ali mesmo na mesa, enquanto Saffron observa pela janela mais conveniente da história do cinema — uma janela que, sinceramente, só existe em filmes e em apartamentos projetados por roteiristas com fetiches específicos. Esse é o nível de humor do filme: involuntário, estranho e deliciosamente desconfortável.

Heather Graham se joga no papel com a energia de quem está ensaiando um programa culinário para uma plateia imaginária — e exagera tanto que você quase sente o cheiro do colapso emocional. Carrie-Anne Moss, por outro lado, entrega uma Saffron tão traumatizada que parece ter saído de um drama europeu premiado, o que cria uma química entre as duas tão coerente quanto misturar foie gras com gelatina de uva.

O filme começa bem: cores vibrantes, pratos lindos, figurinos estilo “esposa de Stepford psicótica”, e uma promessa de tensão crescente. Mas, depois de meia hora, a história entra num modo “cozimento lento” que nunca chega ao ponto. Os diálogos são tão esquecíveis que evaporam da memória antes mesmo de terminar a frase. O desenvolvimento de personagem? Mais raso que prato de degustação molecular.

E quando o final chega… ele simplesmente chega. Sem aviso, sem construção, sem lógica. É mais sugerido do que mostrado, como se o filme tivesse ficado tímido na última hora. Você termina olhando para a tela e pensando: “pera, era isso?”.

No fim, “Compulsão Assassina” é como uma refeição experimental feita por um chef instável: você não entende nada, não sabe se gostou, mas com certeza não vai esquecer tão cedo.

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