Casamento Sangrento 2: A Viúva (por Peter P. Douglas)

Casamento Sangrento – A Viúva (Ready or Not 2 – Here I Come, 2026), longa-metragem estadunidense de terror, comédia e ação, distribuído pela Searchlight Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 19 de março de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 108 minutos de duração.

Os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett parecem realmente ter perdido alguma coisa no caminho desde o delicioso “Casamento Sangrento” (2019). Talvez a noção de ritmo. Talvez o bom senso. Talvez o roteiro. Difícil saber. O fato é que, enquanto o primeiro filme reinventava o “safári humano” com frescor, ironia e sangue na medida certa, esta continuação consegue ser tão empolgante quanto assistir a um ensaio de casamento — daqueles longos, repetitivos e com padrinhos que não sabem onde ficar.

A continuação se inicia exatamente onde seu antecessor terminou. Mas agora Grace MacCaullay (Samara Weaving), que já deveria ter ganhado um vale-terapia vitalício depois do primeiro filme, vira alvo de uma caçada global conduzida por bilionários entediados seguidores do Sr. Le Bail. Porque, claro, nada diz “elite mundial” como perseguir uma mulher traumatizada por esporte. Para piorar, ela ganha a companhia da irmã mais nova, Faith (Kathryn Newton), que chega ao filme como quem foi jogada no set por acidente. As duas têm tanta química quanto duas pessoas que se trombam no corredor e pedem desculpa ao mesmo tempo.

A presença de Faith deveria adicionar profundidade emocional, mas só adiciona constrangimento. Ela e Grace parecem atuar em filmes diferentes, com tons diferentes, direções diferentes e, possivelmente, roteiros diferentes. Cada interação entre as duas é um lembrete de que inserir personagem novo sem propósito é como colocar glitter em comida: não melhora nada e ainda deixa tudo estranho.

O filme tenta inovar trazendo assassinos de várias nacionalidades — americanos, espanhóis, chineses, indianos — como se diversidade resolvesse falta de criatividade. Mas Grace escapa deles com a facilidade de quem está fugindo de crianças armadas com pistolas de água. Até o confronto com Francesca (Maia Jae), ex do falecido marido de Grace, tenta ser intenso, mas decepciona.

E olha que o elenco de apoio não decepciona, tendo nomes como Sarah Michelle Gellar, Shawn Hatosy, Nestor Carbonell, Elijah Wood e principalmente David Cronenberg (em sua última contribuição nas telonas antes de falecer).

Os roteiristas Guy Busick e R. Christopher Murphy abraçam o pior da tendência atual de transformar adultos em adolescentes bobos. Em vez de tensão, temos piadas deslocadas. Em vez de drama, temos birras. Em vez de personagens, temos caricaturas. E tudo isso porque os diretores gostaram da atuação de Kathryn Newton em outro filme e decidiram enfiá-la aqui a qualquer custo. Literalmente: a qualquer custo.

Se no primeiro filme a explosão final era um clímax catártico, aqui explosões acontecem a todo momento — como se o filme estivesse tentando compensar a falta de suspense com pirotecnia. A previsibilidade é tão grande que o público não terá muita dificuldade em adivinhar cada morte antes de acontecer. E não porque são gênios, mas porque o filme não faz esforço nenhum para surpreender.

Samara Weaving tenta salvar o que pode, carregando nas costas o pouco de densidade dramática que sobrou. Mas nem ela consegue impedir que o filme desmorone sob o peso de sua própria falta de imaginação.

E quando chega o final, os diretores escolhem o caminho mais seguro, mais morno e mais sem graça possível. Havia ali uma chance real de levar a história para um lugar ousado, inesperado, talvez até interessante. Mas não: preferiram o “mais do mesmo”, só que com menos inspiração.

No fim, “Casamento Sangrento: A Viúva” é uma continuação que tenta repetir a fórmula do primeiro filme, mas esquece de incluir o ingrediente principal: criatividade. É barulhento, exagerado, previsível e, acima de tudo, incapaz de justificar sua própria existência.

Se o primeiro filme era um brinde sangrento, este aqui é o champanhe choco servido no dia seguinte.

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